Os planos de negócios estão adiantados, as conversas com os fornecedores já começaram e os advogados estão trabalhando na captação de recursos para os consórcios que vão disputar os leilões das bandas C, D e E da telefonia celular. A aposta do presidente da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), Renato Navarro Guerreiro, de que o interesse dos investidores estrangeiros será grande está certa, segundo o sócio-senior do escritório de advocacia britânico Clifford Chance, Stephen Hood.
Hood, que reside no Brasil, afirmou que os leilões serão um sucesso. O Clifford Chance, maior escritório de advocacia do mundo, está assessorando alguns dos interessados nos leilões, mas Hood se recusou a identificá-los. O advogado descartou argumentos que vêm sendo usados para antever um fracasso.
A venda das nove licenças será feita em três etapas, ao longo do primeiro trimestre de 2001. A opção da Anatel pela faixa de 1,8 Ghz para a operação das novas bandas da telefonia celular abriu as portas para o padrão Global System for Mobile Communications (GSM) no País, seus fornecedores e operadoras.
‘‘Existe um grande interesse dos investidores estrangeiros mesmo porque a tecnologia GSM é o modelo europeu e também amplamente utilizada na Ásia’’, disse Hood. Algumas operadoras que ainda estão fora do mercado brasileiro, como a britânica Vodafone-Airtouch e a chinesa de Hong-Kong Hutchison-Wampoa, já afirmaram ao presidente da Anatel o interesse no leilão.
‘‘Quem tiver uma razão estratégica muito forte para investir numa determinada área não vai poupar esforços’’, disse. Mas tanto a Airtouch quanto a Hutchison haviam ensaiado entrar no mercado brasileiro à época da licitação da banda B da telefonia celular. A Hutchison desistiu da disputa e a Airtouch ficou entre as três melhores propostas para as duas licenças do Estado de São Paulo.
As operadoras estabelecidas no Brasil, como Telefônica, Telecom Italia e a canadense TIW terão que conquistar escala, avançando sobre outras áreas. Além da alternativa de comprar operações em funcionamento, elas podem participar dos leilões, apesar de algumas limitações legais. As operadoras de longa distância, Embratel e Intelig, poderão disputar apenas as licenças das bandas D e E.
Hood contesta o argumento de que os leilões bilionários da Terceira Geração (3G) do celular na Europa inibirão os investidores. Ele descarta também o argumento de que as fontes de investimentos estão mais restritivas às operadoras internacionais por causa do alto nível de endividamento decorrente dos leilões de 3G. ‘‘Consórcios formados por empresas sólidas e com planos de negócios bem resolvidos têm mais facilidade em conseguir capital’’, disse.

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