A Associação dos Cafeicultores do Paraná anunciou ontem, em Santo Antônio da Platina (20 quilômetros de Jacarezinho), que a autorização do Conselho de Desenvolvimento da Política Cafeeira (CDPC) para os leilões de café do Governo e a troca para a exportação de 2,3 milhões de sacas de arábica por café robusta deve agravar a crise do setor. A entidade alega que o volume liberado corresponde a 15% da safra atual e vai permitir que os exportadores dominem as negociações de preços junto aos produtores.
As medidas foram definidas ontem durante uma reunião da CDPC, mas eram aguardadas desde o início da semana pela Apac. A entidade admitiu que a posição do Governo Federal em apoiar as medidas foi anunciada pelo Secretário de Produção e Comercialização do Ministério da Agricultura, Pedro Camargo Neto, durante a reunião do Conselho Nacional do Café (CNC).
O café liberado corresponde a 20% do café exportado durante o Plano de Retenção para reduzir a oferta mundial do café em 2000. O Ministério da Agricultura anunciou que deste total 1,7 milhão de sacas, foram financiadas pelo Fundo de Amparo a Cafeicultura (Funcafe). O presidente da APAC, Ricardo Strenger, disse que a quantidade de café liberado corresponde ao volume de produto exportado em um período de dois meses. ‘‘A ausência do arábica no mercado poderia estimular os preços, mas a liberação do café aumenta a oferta e deve reduzir, ainda mais, os preços’’, alertou.

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