Leilão sai após duas liminares
O leilão da Companhia Riograndense de Telecomunicações (CRT) foi feito depois de dois adiamentos causados por liminares concedidas pela Justiça gaúcha e cassadas por tribunais superiores. A última liminar foi derrubada na manhã de ontem pelo presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Antônio de Pádua Ribeiro. Ele concluiu que havia o risco de as ações da CRT se desvalorizarem em razão dos sucessivos adiamentos do leilão, com desinteresse de empresas na compra da estatal gaúcha. Para ele, a manutenção da liminar poderia causar grave lesão à ordem e à economia públicas, com riscos de prejuízos ao Rio Grande do Sul.
A liminar havia sido dada pelo desembargador gaúcho Eliseu Gomes Torres. Segundo Torres, como houve alteração na data do leilão, seria necessária a publicação de um novo edital antes da privatização da CRT. O leilão estava marcado, a princípio, para terça-feira passada (16), mas os candidatos sentiram-se inseguros para depositar as garantias em função da primeira liminar, que ia ser apreciada pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
A comissão do Programa de Reforma do Estado decidiu então adiar o leilão para a quinta-feira (18), mas a decisão do STF só saiu na noite do dia 17, o que levou o governo gaúcho redefinir a data para hoje. O leilão só ocorreu, porém, depois que o STJ derrubou a segunda liminar, baseada exatamente nos adiamentos e obtida pelo mesmo empresário Renato Bastos Ribeiro.
O leilão começou exatamente ao meio dia, uma hora depois de ter sido anunciada a decisão do STJ, suspendendo a segunda liminar. O superintendente executivo da Bolsa de Valores do Extremo Sul, Jessé Grimberg, presidiu o leilão, que foi o maior negócio realizado no Salão Nobre da Federação das Industrias do Rio Grande do Sul (Fiergs) este ano.
De posse de um fax enviado pelo STJ, o secretário de Energia Minas e Comunicações, Assis Roberto de Souza, autorizou o início da sessão, que demorou apenas quatro minutos. O leiloeiro recusou uma proposta da cooperartiva da CRT, entregue em mãos, alegando que ela não havia seguido os trâmites legais -não depositou as garantias. E leu uma correspondência do Grupo Andrade Gutierrez, que desistiu de participar do negócio por entender que o preço mínimo, de R$ 926,496492 milhões, estava muito alto.





