Vânia Casado
De Curitiba
A Cooperativa Agropecuária União Ltda (Coagru), de Ubiratã, está reivindicando junto à Conab a suspensão dos leilões de venda do algodão e a introdução imediata dos contratos de opção para sustentar os preços do produto durante a comercialização. O temor é que o acúmulo de produto no mercado com a intensificação da colheita, a partir de abril, e a realização dos leilões podem provocar uma derrocada nos preços do algodão em caroço, o que pode inviabilizar a cultura nas próximas safras.
A cooperativa incentivou o plantio com colheita mecanizada do algodão na região Centro-Oeste do Estado e agora está preocupada com a possibilidade de queda no preço do produto, o que pode provocar o deslocamento desses produtores novamente para a soja. Na região, foram plantados 6.800 hectares de algodão, dos quais 3.000 hectares com cultivares que permitem a colheita mecânica. ‘‘Esse é o terceiro ano que se planta algodão destinado à colheita mecânica na região e a consolidação desse sistema depende do sucesso na comercialização’’, explica a assessora do departamento de comercialização da Coagru, Maria José da Silva Yagushi.
A preocupação da cooperativa aumenta porque esse ano a produtividade do algodão está inferior ao índice obtido no ano passado, e se os preços caírem os produtores terão prejuízo. Quem plantou com tecnologia está colhendo uma média de 400 a 450 arrobas por alqueire, inferior às 500 arrobas por alqueire colhidas no ano passado. Como o produtor desembolsou o correspondente entre 350 a 400 arrobas por alqueire, a margem de rentabilidade está estreita. ‘‘Qualquer movimentação de redução no preço do produto podem empatar o investimento’’, salienta Yagushi.
Atualmente o produtor está recebendo R$ 10,00 a arroba do algodão em caroço, superior ao preço mínimo fixado em R$ 8,00 a arroba. Os preços estão se mantendo porque as indústrias estão desabastecidas e o mercado está pagando em torno de R$ 1,00 por libra-peso de pluma. ‘‘Isso dá suporte para manter os preços do algodão em caroço em níveis razoáveis’’, afirma Yagushi. ‘‘A continuidade dos leilões atrapalha a comercialização’’, explica.
A Conab deverá desativar os leilões a partir da próxima semana, informa o técnico da entidade, Djalma Fernandes de Aquino. Das 90 mil toneladas de algodão em caroço em poder da Conab, já foram leiloadas cerca de 70 mil toneladas, restando um estoque de apenas 20 mil toneladas. Segundo Aquino, além do encerramento dos leilões, a Conab deverá entrar com o mecanismo dos contratos de opções para dar suporte à comercialização a partir de abril.
Segundo Aquino, a preocupação com a queda nos preços do algodão no Paraná não procede porque há escassez do produto no mercado. Em termos nacionais, as indústrias vão recorrer à importação para complementar o abastecimento. Mesmo o Paraná que é um estado produtor, ‘‘tem um consumo superior à produção’’, destacou.