A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) vai relançar na segunda-feira o edital de licitação para as empresas-espelho de telecomunicações que irão disputar mercado com a Telefônica - novo nome da Telesp -, e com a Tele Centro Sul. Estas foram as únicas empresas que não tiveram interessados na entrega das propostas e dos documentos de habilitação, na semana passada.
O texto do novo edital não terá alterações em relação ao do primeiro. Na prática, a medida representa um adiamento de 55 dias no cronograma inicial de venda destas duas teles-espelho.
Os interessados deverão entregar as propostas e os documentos no dia 5 de fevereiro e o leilão, na Bolsa de Valores do Rio de Janeiro, será dia 11 de março. O primeiro leilão das empresas-espelho que irão concorrer com a Embratel e a Tele Norte Leste, as únicas que tiveram interessados, deverá ocorrer no dia 15 de janeiro.
‘‘Diante das circunstâncias, este edital pode ser entendido como um adiamento (da data do primeiro leilão)’’, confirmou ontemo presidente da agência, Renato Navarro Guerreiro. Ele explicou que a decisão de não alterar o edital deve-se à pressa da Anatel em acabar com o monopólio das atuais concessionárias privadas de telefonia fixa.
‘‘Qualquer outra mudança determinaria uma postergação do processo, pois alterações no edital devem ser submetidos a uma consulta pública’’, explicou. Neste caso, a demora seria de pelo menos mais 30 dias.
Guerreiro disse acreditar que este novo edital vai atrair investidores para as duas espelho. ‘‘Não foi por restrições do edital que não houve interesse, tanto que apareceram duas propostas para a espelho da Tele Norte Leste’’, afirmou.
Segundo ele, o desinteresse pela espelho da Telesp pode ser entendido por dois fatores. O primeiro é a disputa pelo mercado de telecomunicações nos Estados Unidos, o que estaria levando as empresas norte-americanas a se concentrar naquele mercado.
O segundo motivo, conforme Guerreiro, foi o interesse amplamente anunciado da operadora norte-americana BellSouth pela espelho da Telesp, que afastou outos investidores. ‘‘O mercado sabe que quando a BellSouth quer (uma concessão), ela realmente quer, como foi na banda B da telefonia celular’’, disse o presidente da Anatel, referindo-se à oferta do ágio de 341,25% para a região metropolitana de São Paulo.
Como a BellSouth desistiu da espelho na véspera da entrega das propostas, disse Guerreiro, ‘‘não deu para articular novos grupos’’. O presidente da Anatel afirmou que São Paulo continua sendo um mercado atraente para investidores. ‘‘A demanda reprimida no Estado é muito grande’’, disse.
A Telefônica, que administra a Telesp, mesmo investindo muito na região, não representa um obstáculo à entrada de uma nova operadora. ‘‘Ela é uma empresa forte, pujante, mas não é para amedrontar’’, afirmou, referindo-se à operadora espanhola.
Guerreiro acredita que a BellSouth poderá rever seu interesse na área. ‘‘Eles podem reavaliar esta situação’’, disse. A Anatel não pretende antecipar o resultado para a espelho da Embratel, que só teve o consórcio Bonari (Sprint, France Telecom e Qualcomm) interessado. ‘‘Não dá para mudar o edital’’, afirmou Guerreiro.
A agência também não tem planos de procurar interessados pelas duas empresas-espelho, fazendo, por exemplo, um ‘‘road show’’ internacional. ‘‘O prazo é curto e seria gastar muito dinheiro e energia’’, explicou o presidente da Anatel.
A Anatel anunciou ontem o adiamento da licitação do primeiro satélite privado brasileiro. A entrega das propostas foi transferida para 9 de fevereiro.Arquivo FolhaMercado abertoGuerreiro: ‘‘Anatel tem pressa em acabar com o monopólio das atuais concessionárias privadas’’Agência Estado

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