A privatização do Banestado saiu da esfera econômica para se transformar num jogo político, em que está em cena uma silenciosa briga travada entre o secretário da Fazenda, Giovani Gionédis, e o presidente do Banestado, Reinhold Stephanes. O impasse está no adiamento ou não do leilão do banco, em outubro, para que o processo não se confunda com a venda do Banespa, marcada para novembro. Stephanes, que nos últimos dois dias voltou a defender o adiamento do leilão do Banestado, foi alvo de críticas por parte de deputados aliados ao governo. O líder do governo Valdir Russoni (PFL) chegou a chamá-lo de ‘‘desleal’’.
O secretário da Fazenda também não gostou das declarações de Stephanes. Giovani Gionédis reafirmou ontem que o leilão está mantido para o dia 17 de outubro através de uma nota oficial expedida no início da noite pelo Palácio Iguaçu. ‘‘O processo de privatização não sofrerá qualquer alteração’’, desafiou Gionédis. Ele e o presidente do Banestado têm uma antiga divergência sobre a data de venda do banco paranaense. Segundo Stephanes, leiloar o Banestado em data próxima da venda do Banespa representa perder dinheiro, pois não se conseguirá um ágio maior.
Alguns analistas de mercado de São Paulo também têm se manifestado, em jornais nacionais, contra a venda dos dois bancos em datas aproximadas. Os bancos credenciados para a compra do Banestado (Santander, ABN-Amro, Bradesco, Itaú e Unibanco) são os mesmos que têm interesse no Banespa, considerado o ‘‘filé mignon’’ das instituições financeiras a serem privatizadas. Numa queda-de-braço, o Banestado seria prejudicado.
O posicionamento de Stephanes a favor do adiamento provocou desconforto no governo do Estado e Assembléia Legislativa. A oposição aproveitou o momento de fragilidade política para manifestar apoio a Reinhold Stephanes. ‘‘O presidente do Banestado está defendendo os interesses do povo’’, discursou o deputado Nereu Moura (PMDB), durante sessão plenária na Assembléia.
Moura teve apoio dos deputados Luis Carlos Zuk (PDT), Antonio Annibelli (PMDB), Caíto Quintana (PMDB) e Orlando Pessuti (PMDB). ‘‘Dizem que o Stephanes está se insubordinando contra o governo. Quem dera se eu tivesse um assessor que se insubordinasse quando eu cometesse um erro’’, defendeu Pessuti.
Irritado com as declarações da bancada de oposição, o líder do governo saiu em defesa do secretário da Fazenda e do governador Jaime Lerner. ‘‘Pelo que vejo aqui, surgiu um herói no Paraná, que se chama Stephanes’’, ironizou. Mais exaltado, ele acusou o presidente do Banestado de ser desleal. ‘‘O Stephanes está sendo injusto, incorreto e não está sendo leal como um homem que faz parte de uma equipe’’, acusou.
A resposta do presidente do banco foi curta e direta. ‘‘Estou sendo leal ao banco e à sociedade paranaense. Não vejo deslealdade ao governo’’. Alheio às discussões palacianas, Stephanes passou o dia de ontem em Londrina, em reunião com gerentes do banco. Entre os políticos que cercam Lerner já é voz corrente que não há espaço para Gionédis e Stephanes no mesmo governo. (C.M.)

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