O ministro do Planejamento, Antônio Kandir, disse ontem que o leilão de privatização da CPFL ‘‘demonstrou, de forma inequívoca, a tese que o governo defendia de que o investidor que participa da privatização não é o mesmo que aplica nas bolsas’’. Kandir considera mais importante do que o ágio da proposta vencedora (superior a 70%) o fato de que outros grupos que estavam concorrendo também fizeram propostas com ágio elevado. ‘‘Existe uma demanda reprimida por investimentos de infra-estrutura no País, que motiva os grandes investidores estrangeiros’’, avaliou Kandir.
Segundo ele, o fato de as bolsas terem registrado quedas, ontem, ‘‘não tem grande importância porque isso é o que normalmente acontece quando você tem dois dias seguidos de grande alta, como nesta semana’’. Para Kandir, ‘‘o processo da CPFL foi importante, porque mostrou a grande confiança dos investidores no processo de privatização do País’’.
Também o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luiz Carlos Mendonça de Barros, destacou o sucesso do leilão da CPFL. Na visão de Mendonça de Barros, o leilão mostrou que ‘‘o investidor está interessado nos negócios do setor elétrico’’. Informou ainda que o BNDES já está trabalhando no leilão da Enersul, marcado para o dia 24 deste mês.
O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Fernando Bezerra, comemorou ontem o ágio de 70% obtido pelo governo de São Paulo na privatização da CPFL. ‘‘Mostra que o Brasil continua sendo atraente para os investidores e que não foi a questão das bolsas que afetou essa avaliação’’, disse ele. No entanto, o presidente da CNI não afasta a hipótese de haver cancelamento de pedidos à indústria, em decorrência de menores vendas no final do ano.

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