Leilão inaugura nova fase no financiamento agrícola
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terça-feira, 01 de março de 2005
Eduardo Magossi<br>Agência Estado 
São Paulo O Ministério da Agricultura, juntamente com o Banco do Brasil e a Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) deram, ontem, mais um passo para a consolidação de um novo sistema de financiamento do agronegócio centrado investidor privado. Foi realizado ontem, na BM&F, através do sistema eletrônico do Banco do Brasil, o primeiro leilão de Letras de Crédito do Agronegócio (LCA). Foram leiloados R$ 10 milhões em LCAs que conseguiram a rentabilidade média de 101,5% do CDI, atingindo uma taxa anualizada de 19,49% a 19,58% entre seus 10 lotes.
Para o secretário de política agrícola do Ministério da Agricultura, Ivan Wedekin, o leilão foi bem sucedido porque obteve taxas menores que os 25% a 30% ao ano conseguidos no mercado financeiro por participantes do agronegócio que não conseguem os recursos do sistema oficial de custeio, de 8,75% ao ano. ''A taxa obtida com o LCA ficará entre o juro do custeio oficial e o oferecido pelo mercado financeiro''.
Wedekin afirmou que apenas nos fundos de investimentos existem cerca de R$ 600 bilhões aplicados. ''Se 5% deste total aplicado em fundos fossem investidos no agronegócio, teríamos R$ 30 bilhões a mais aplicados no custeio do setor'', disse. O secretário acredita que o crescimento da participação da LCA pelo mercado será semelhante ao da Cédula de Produto Rural (CPR), que vem se expandindo nos últimos anos.
Derci Alcantara, diretor de agronegócio do Banco do Brasil, disse que a expansão dos negócios com CPR demonstra a carência de recursos existentes para financiar o agribusiness. Segundo ele, o Banco do Brasil fez negócios com CPR da ordem de R$ 1,5 bilhão em 2003, saltando para R$ 4,5 bilhões em 2004. ''Em 2005, a expectativa é de atingir R$ 6,5 bilhões em CPRs'', afirmou.
Desde meados de 2004, o Banco do Brasil deixou de oferecer as CPRs de seus clientes ao mercado e passou a comprá-los para formar uma carteira de CPRs que servirá de lastro para a emissão de LCA. Segundo o vice-presidente de agronegócio do BB, Ricardo Conceição, esta carteira do BB já conta com R$ 2,5 bilhões que serão utilizados como lastro para a emissão de LCAs. Conceição conta que o mercado reclamou quando as CPRs deixaram de ser oferecidas, mas agora o Banco do Brasil vai colocar as LCAs à disposição dos investidores. Ele explica que estas letras foram criadas pela Lei 11.076, que permite a instituições financeiras negociar títulos com lastro em recebíveis mantidos em carteira.


