Leilão e crédito aquecem café
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quinta-feira, 29 de agosto de 2002
Benê Bianchi<br>Reportagem Local 
Londrina - As medidas adotadas pelo governo para pressionar o preço do café para cima começam a surtir efeito. A saca de 60 quilos, que era comercializada a R$ 95,00 há duas semanas, anteontem e ontem chegou a R$ 100,00. Embora ainda não muito significativo, o novo valor sinaliza boas perpectivas para o setor.
Além dos dois leilões de opção de venda do café já realizados e que tiraram do mercado cerca de dois milhões de sacas do produto (arábica, tipo 6, bebida dura), o crédito aberto para incentivar a retenção espontânea, com juros de 9,5% ao ano, também tem contribuído para elevar os preços, na opinião de vários especialistas do mercado. ''Acredito que a reação no preço do café seja um reflexo das medidas governamentais'', diz Nilson Hank Camargo, assessor técnico da Federação da Agricultura do Paraná (Faep).
O crédito para estocagem do produto pode reter de 8 a 9 milhões de sacas e os leilões pretendem assegurar o preço mínimo de R$ 130,00 para 6 milhões de sacas de café entregues em dezembro. A previsão oficial para a safra deste ano é de 44,6 milhões de sacas. Há instituições, no entanto, que prevêem uma safra ainda maior, chegando perto de 46 milhões de sacas. O consumo interno de café é da ordem de 13 milhões de sacas e as exportações devem consumir mais 25 milhões de sacas.
O corretor Joselito Soncella, da A Rural Corretora de Café, de Londrina, também atribui a reação dos preços às medidas governamentais. ''Se o mercado não chegar perto dos R$ 130,00 por saca até dezembro, os cafeicultores que adquiriram o contrato exercem a opção, entregando o produto ao governo'', opina. Para Soncella, o preço precisa chegar, pelo menos, a R$ 120,00 para que o cafeicultor prefira entregar o produto ao mercado. Para o governo, o café tem que seguir em sacaria nova, maquinado para chegar ao tipo 6 e ainda cabe ao vendedor os custos com frete, daí a preferência pelo mercado caso a diferença de preço compense.
O corretor e também produtor Marcelo Fraga, de Londrina, é outro que atribui a reação dos preços às medidas internas. ''Digo com segurança que houve valorização dos cafés mais finos devido a essas medidas. Existe a preocupação de que o produtor retire esse produto do mercado para entregar ao governo.'' Segundo ele, está havendo negócios a R$ 105,00 a saca.
Já para o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), pertencente à Escola Superior de Agricultura ''Luiz de Queiroz'', de Piracicaba, a reação do preço do café está mais ligada ao comportamento da Bolsa de Nova York (CSCE), que acumulava, ontem, alta de 220 pontos, do que às medidas internas. De acordo com o Cepea, a alta ocorreu basicamente devido ao período de troca de posições dos fundos, aberto em 22 de agosto e que prossegue até 19 de setembro.
O corretor de café Marcos Bacceti, de Londrina, também considera que este fator contribuiu para a reação, mas ele não despreza as medidas internas. ''Na minha opinião, ocorreu uma soma de fatores. Mas é bom lembrar que o mercado continua volátil e é dinâmico.''


