Leilão do Banerj é adiado para hoje
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terça-feira, 17 de junho de 1997
Agência Estado Rio de Janeiro 
O leilão do Banerj, marcado para ontem, foi adiado para hoje às 10 horas. A decisão foi tomada pelo Secretário de Fazenda do Rio, Marco Aurélio Alencar, porque a Comissão de Assuntos Econômicos do Senado (CAE) não chegou a se reunir ontem para aprovar o empréstimo de R$ 3,088 bilhões que a Caixa Econômica Federal concederá ao governo fluminense. Esses recursos são necessários para que o Estado do Rio assuma o passivo trabalhista e previdenciário do Banerj.
Sem essas garantias, os quatro bancos pré-qualificados para arrematar o Banerj não entregariam os envelopes com as propostas de venda. O risco do passivo trabalhista é enorme, afirmou um executivo do Bradesco, uma das instituições pré-qualificadas para a operação. O presidente do Bozano, Simonsen, gestor do Banerj, Paulo Ferraz, explicou ontem que o leilão permanecerá em aberto, podendo acontecer a qualquer hora do dia caso a CAE não aprove o empréstimo da CEF até as 10 horas, horário previsto para a venda, ou mesmo amanhã, caso a decisão do Senado seja adiada.
Ontem o leilão do Banerj chegou a ser aberto no horário previsto, mas não houve entrega dos envelopes. O leiloeiro Alexandre Runte leu um documento informando aos interessados que as propostas seriam apresentadas apenas depois da reunião da CAE, na qual seria ratificado o empréstimo da CEF ao governo do Rio. Essa formalidade de abertura foi necessária porque permitiria que o leilão seja iniciado tão logo o Senado aprove o empréstimo da CEF. Se o Banerj não for vendido até o dia 25, quando termina o prazo do Regime de Administração Especial Temporária (Raet) do Banco Central, o banco será liquidado.
Os quatro interessados em arrematar o banco estavam representados na Bolsa de Valores do Rio de Janeiro ontem. Os executivos do Bradesco, Itaú, BCN e Companhia de Investimentos Latino-Americana (Pactual) seguravam seus envelopes, mas estavam pouco confiantes na execução do leilão no prazo previsto. O Banerj será vendido ao preço mínimo de R$ 310 milhões.
O passivo previdenciário e trabalhista da instituição é o grande nó que o governo precisa desatar para conseguir vender o banco. Um executivo do Pactual disse que mesmo com o empréstimo da CEF destinado a cobrir o passivo, o risco jurídico ainda é grande. O Pactual espera obter um adiamento do prazo da liquidação financeira do Banerj - que ocorrerá três dias após a venda do Banco - de modo que essas questões sejam resolvidas antes de o novo controlador assinar o cheque para a efetivação da compra.
Manifestação A manifestação contra o leilão de privatização do Banerj reuniu ontem cerca de 300 funcionários do banco nos arredores da Bolsa do Rio. Nas proximidades havia 650 policiais militares fazendo a segurança do prédio. O protesto foi nas escadarias da Assembléia Legislativa, a cerca de 200 metros da Bolsa.
A manifestação começou às 13 horas e foi tão pacífica que no meio da tarde apenas dois policiais de trânsito estavam no local. Os sindicalistas se esforçaram para manter a mobilização durante todo o dia, mas no fim da tarde não havia mais do que 100 pessoas nas escadarias da Alerj.


