Curitiba A primeira fase do leilão para compra e venda de energia, realizado ontem pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), em São Paulo, derrubou os preços do insumo. O valor cotado para a energia a ser contratada em 2005 caiu abaixo de R$ 70,00, o que frustrou as expectativas de mercado, disse o analista Carlos Martins, do banco Brascan.
Mas os preços constatados na primeira fase do leilão não eram defintivos. A segunda fase, em que as geradoras iriam determinar realmente o preço que queriam para a energia, não havia terminado até o início da noite de ontem.
A julgar pelo comportamento do leilão na primeira fase, o impacto será nulo para a Copel e para os seus consumidores, disse o analista. Segundo ele, o custo da energia ofertado caiu para R$ 62,10 o Megawatt/hora, próximo à cotação que a Copel Geração vende para a Copel Distribuição. A Copel não confirmou esses valores.
Na primeira fase do leilão, encerrada por volta de 18 horas, foram realizadas 18 rodadas, que resultaram na oferta de energia por R$ 62,10 o Mwh para 2005; R$ 72,60 o Mwh para 2006 e de R$ 79,30 o Mwh para 2007. Em relação aos preços definidos na abertura pelo Ministério das Minas e Energia, houve uma redução de 22,4% na cotação da energia em 2005; de 17,5% em 2006 e de 16,5% em 2007.
As regras do leilão foram extremamente rigorosas. Os representantes das empresas participantes ficaram isolados em salas e foram impedidos de ter contatos através de celulares, telefones, laptops ou outro equipamento de comunicação. Elas também não podiam se comunicar com as demais participantes para evitar combinação de preços ou de volumes de energia a ser contratados.
A queda no preço da energia não foi bem recebida pelos analistas diante da possibilidade de fuga de investimentos. Se a energia ficar muito barata, as empresas vão pensar mais antes de investir no Brasil. No entanto, o aumento da oferta que derrubou os preços pode ser interpretado mais como uma alternativa das empresas em contratarem a energia já para 2005, apesar do preço mais baixo.
Esse seria o impacto positivo do leilão, disse Martins. De acordo com o analista, para as empresas é melhor sair do leilão com a energia vendida do que vendê-la posteriormente no mercado spot, cujo valor é mais reduzido ainda. A participação da Copel no leilão ainda está sub judice. A equipe jurídica da empresa ainda está tentando manter a prorrogação dos contratos de energia contratada até 2015.

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