Marcos BorgesEnxugando o mercadoOs Estados Centrais lideraram as compras do leilão de opção ontem em Londrina O leilão de Contratos de Opção, promovido ontem, em Londrina, pela Conab, vendeu 42% dos contratos (27 toneladas) ofertados, abaixo da expectativa do presidente da Conab, Francisco Turra, que no dia anterior previu movimento recorde. De 7.408 contratos (200 mil toneladas) foram adquiridos apenas 3.103 (83.781 mil t). Paraná foi o que menos comprou, fato que os operadores de bolsa atribuem à tendência de alta no mercado físico.
Segundo a Conab, os preços que o governo garante para os compradores dos contratos de opção são R$ 7,15/saca (Goiás e Mato Grosso do Sul) e de R$ 6,55 (Mato Grosso). Os compradores do Paraná receberão preços correspondentes aos lotes que arremataram, segundo as regiões a que se destinavam: Goiás e Mato Grosso do Sul ou Mato Grosso.
A distribuição de contratos de opções por Estado foi a seguinte:
Goiás - ofertados 1.852 contratos. Foram vendidos 100% dos contratos ao valor (prêmio) de abertura de R$ 10,00 por contrato, ou R$ 0,2/saca (dois centavos por saca). Prêmio são os valores pagos pelos compradores para a empresa).
Mato Grosso do Sul - ofertados 1.296 contratos, vendidos 318 (25%), ao preço (prêmio) de R$ 10,00/contrato (R$ 0,2/saca).
Mato Grosso - ofertados 556 contatos, com fechamento total, a R$ 50,90 por contato, ou R$ 9/saca. Os prêmios tiveram variação acentuada no Mato Grosso, abrindo em R$ 9 e fechando em R$ 50,90) com aumento de 465% e foram arrematados todos os 556 contratos ofertados.
Paraná - ofertados 3.704 contratos; vendidos 377 (10%), ao preço de abertura (e fechamento) de R$ 10,50 por contrato (R$ 0,2).
Os dados mostram interesse maior nos Estados Centrais, onde o preço praticado pelo mercado está muito baixo e os agricultores precisam recorrer aos instrumentos alternativos de comercialização, como o leilão de opção. No Paraná o interesse dos agricultores foi menor por várias razões, uma delas é a ‘‘reação de preços no disponível’’, segundo técnicos da Conab.
A falta de um interesse maior dos paranaenses foi debitada aos seguintes fatores, conforme os técnicos do governo e operadores das bolsas:
- O preço do milho no mercado físico está reagindo e o produtor está menos pressionado a procurar mecanismo de defesa dos preços,
- A Conab divulgou, antes do leilão de ontem, os preços de exercício dos futuros leilões, ainda este mês, em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, Goiás e Minas Gerais,
- Como os preços dos próximos leilões (R$ 7,45) são melhores do que os preços de ontem em Londrina (R$ 7,30) seria natural que o agricultor adiasse suas compras para aqueles leilões. Através de bolsas ele pode adquirir contratos em outras praças,
- Muito rigor na classificação do tipo 1, admitido pela própria Conab. A Conab vai estudar mudanças nos critérios,
- A umidade de 13% não é exagerada, mas o índice de impureza, apenas 2%, é rigoroso, segundo operadores de mercado,
A avaliação dos operadores das 16 bolsas participantes foi positiva. O técnico Joel Lemos, do Departamento de Comercialização da Conab e coordenador do leilão de ontem, saiu satisfeito com o resultado. ‘‘Trata-se de uma modalidade nova que precisa de alguns ajustes - admitiu - mas que está definitivamente aprovada. O contrato de opção veio para ficar’’, disse Joel Lemos, após o leilão, no Parque Ney Braga.
Revisão O superintendente da Conab no Paraná, Eugênio Stefanello, admitiu que haverá revisão nos critérios de classificação. Para o presidente da Bolsa de Cereais e Mercadorias de Londrina (BCML), Antonio Abrão, o fato da participação do Paraná ter sido modesta não tira o mérito do leilão que teve boa média de comercialização. Abrão deu uma explicação técnica sobre o mercado e suas nuances. Ele concorda, em tese, que o que ocorreu foi que os preços no mercado físico não estão fora da realidade e, em alguns casos acima da média histórica, dispensando a busca de abrigo em outros mecanismos de mercado por parte do produtor, a esta altura menos preocupado do que um mês atrás.
Segundo Stefanello, o que o produtor fez ontem foi um ‘‘seguro de preços’’. Ele está adquirindo o direito de entregar o milho ao governo, dia 15 de outubro recebendo R$ 7,30/saca, nada mais que os R$ 6,70 hoje, mais juros, custo de armazenagem e registro no Banco Central que somam, no máximo, 1%. Se o mercado pagar mais do que isto, o produtor vende no mercado e não precisa nem comunicar ao governo.

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