São Paulo - Em greve há quatro dias, os petroleiros devem concentrar esforços hoje, numa manifestação que a categoria fará em Brasília, entre 8h e 9h, em frente ao Congresso Nacional, para reivindicar melhores salários, informou à Agência Brasil, ontem, o coordenador-geral da Federação Única dos Petroleiros (FUP), João Antonio Moraes.
Moraes explicou ainda que uma manifestação nas proximidades do Hotel Windsor Barra, na Barra da Tijuca, no Rio, onde ocorrerá o leilão do campo de Libra é praticamente impossível "devido ao uso da tropa de guerra montada pelo Exército". O dirigente confirmou também que a Petrobras convocou para hoje, às 10 horas, na sede da empresa no Rio, uma reunião para tratar da data-base dos petroleiros. No documento de convocação, a estatal afirma que apresentará à categoria uma nova proposta para o acordo coletivo de trabalho 2013.
Os petroleiros estão de braços cruzados desde quinta-feira última. Eles reivindicam reajuste salarial de 16,53%. A Petrobras, por sua vez, tinha oferecido até agora um aumento de apenas 6,09%, que é a variação do IPCA no salário base, além de 7,68% na remuneração mínima por nível e regime (RMNR) e um abono equivalente a uma remuneração ou R$ 4 mil ou o que for maior. Além disso, a greve tem por objetivo protestar contra o leilão do Campo de Libra, na camada do pré-sal.

Paraná


Os petroleiros do Paraná também aderiram à mobilização nacional. A adesão no Estado, na quinta-feira, era de 75% de um total de 1.750 funcionários, ligados à Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), em Araucária, na Região Metropolitana de Curitiba; à Usina do Xisto, em São Mateus do Sul (Sudeste); e ao Terminal Aquaviário da Petrobras Transporte (Transpetro) de Paranaguá (Tepar), no Litoral.

Briga na Justiça


O balanço mais recente do governo federal aponta que das 22 ações judiciais travadas em vários Estados brasileiros para tentar impedir a realização do leilão do campo de petróleo de Libra, marcado para hoje, 14 são consideradas favoráveis à operação, das quais sete já em versão definitiva.
De acordo com a Advocacia-Geral da União (AGU), as outras sete também são avaliadas como a contento do governo porque os juízes que fizeram a apreciação entenderam que os argumentos são semelhantes aos apresentados na primeira ação, da 30ª Vara Federal do Rio de Janeiro e que teve resultado a favor do leilão depois de ter sido negado pela Justiça local.
Segundo a AGU, das 22 ações que estão sob análise, sete correm no Estado do Rio de Janeiro; outras sete, em São Paulo; duas no Distrito Federal; duas no Rio Grande do Sul; duas no Paraná; uma em Pernambuco; e uma na Bahia. Oito delas, que também pedem a suspensão da operação, ainda não chegaram a um desfecho.
A concorrência para a exploração do campo de Libra é a primeira do pré-sal. Entre as alegações de quem é contra o leilão está o temor de que haverá transferência do poder de controle da produção nacional de petróleo para empresas estrangeiras. O leilão do Campo de Libra também é alvo de críticas e protestos organizados por movimentos sociais.

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