Leilão de imóveis gera confusão em Londrina
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sábado, 10 de maio de 2003
Adriana Savicki<br>Reportagem Local 
Dezenas de pessoas, de Londrina e outras cidades, que pretendiam participar de um leilão de imóveis do Sistema Financeiro da Habitação (SFH), ontem, tiveram que voltar para casa sem dar um único lance. O evento, relizado no auditório do Hotel Crystal Palace, esperava receber até 400 pessoas mas mais de 700 apareceram para disputar os cerca de 140 lotes de imóveis em Londrina e Maringá. Lotado, o recinto foi fechado, deixando dezenas de interessados do lado de fora. Revoltadas, as pessoas iniciaram um tumulto, contido pela presença da Polícia Militar.
As portas foram fechadas logo após as 10 horas. O auditório do hotel tem capacidade para 450 pessoas e ficou lotado, até as escadas foram ocupadas. Segundo o gerente do hotel, Maurício Martins, além do problema de espaço - o recepcionista da portaria calcula que mais de 600 pessoas entraram - a direção do banco Itaú, que é responsável pelo leilão, solicitou a restrição de público a partir do horário determinado. Até o fechamento desta edição, o representante do banco não estava disponível para atender a reportagem.
Quem ficou de fora reclamou do desrepeito e questionou o edital de divulgação do leilão. ''Não avisaram que o recinto e o horário eram restritos, liguei hoje para o leiloeiro e ele não disse nada disso, isso aqui deveria ser cancelado pelo Ministério Público'', reclama Maria Dias dos Reis, de Maringá.
Oswaldo Umeda, também de Maringá, perdeu o leilão por minutos. ''Passei aqui e não achei vaga para estacionar, quando voltei já estava fechado'', lamenta o professor que estava interessado em três apartamentos.
Risco de despejo - Situação pior é a do músico Mauro Flores que planejava quitar seu próprio apartamento e agora corre o risco de ser despejado. Mais de 70% dos imóveis que foram a leilão ontem pertencem a mutuários inadimplentes que, segundo o Movimento do Sistema Financeiro de Habitação, teriam direito à uma redução de dívidas.
Segundo a coordenação do movimento, cerca de 9 mil mutuários que pertenciam ao antigo Banestado não foram beneficiados com a lei 10.150, de dezembro de 2000, que perdoou dívidas de quem havia assinado contrato até dezembro de 1987.
A maior causa da inadimplência é o alto valor das prestações. Caso vivido pelo músico Mauro Flores. A prestação do seu apartamento de 2 quartos na zona leste gira em torno de R$ 800. ''Não há condições de pagar R$ 800 por mês em um imóvel que vale R$ 15 mil'', afirma.


