Leilão de energia beneficiou Paraná
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quinta-feira, 09 de dezembro de 2004
Vânia Casado<br>Equipe da Folha 
Curitiba O consumidor paranaense pode ter suas tarifas de energia elétrica reduzidas no ano que vem, se a Companhia Paranaense de Energia (Copel) repassar a redução no preço da energia que a empresa obteve no leilão promovido pelo Ministério das Minas e Energia. A Copel saiu ganhando com o leilão porque comprou energia abaixo do preço médio e conseguiu vender por mais.
A Copel Distribuidora comprou 1394 Megawatts médios (MWmédios) de energia e a Copel Geração vendeu 1429 MWmédios, praticamente empatando os volumes de compra e venda. A Copel Distribuidora comprou energia de 11 empresas, inclusive da Copel Geração pelo período de 8 anos, pagando por isso um preço médio de R$ 51,73 o MW/hora. Esse valor é inferior ao que a Geração vendia para a Distribuição que era R$ 65 o MWh. A compra mais cara da Copel Distribuição foi a R$ 69,98 o MWh, da Duke Energy, para o perído 2006 a 2014. A empresa não comprou energia para 2007.
A Copel Geração vendeu energia para 32 das 35 empresas participantes do leilão. O menor preço que a Geração obteve foi R$ 57,50 o MWh e o maior preço foi R$ 75,44 o MWh.
No total, o leilão movimentou R$ 72 bilhões com a venda de 9.054 MWh preço preço médio de R$ 57,51 o MWh. Para o lote de energia vendido para o período de 2006 a 2014, foram vendidos 6.782 MWh pelo preço médio de R$ 67,33. Para o período 2007 a 2015, foram vendidos 1.172 MWh pelo preço médio R$ 75,46.
Ontem, os analistas de mercado refizeram as contas e concluíram que o leilão não foi tão ruim como previam. O lado bom é que estoques de energia velha foram desovados e não houve prejuízo, considerando os custos de produção, disse o analista Mohamed Talah Júnior, da Century Gestão de Negócios. A expectativa do mercado fica para o leilão de energia nova, que será realizado em janeiro, que deve refletir mais a realidade dos investimentos.
A preocupação fica por conta nas ações na Justiça, que pode conceder liminares a qualquer momento. Na véspera do leilão, o Sindicato dos Engenheiros (Senge) entrou com uma ação civil pública com pedido de antecipação de tutela contra a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para impedir a participação da Copel no leilão.


