Leilão de contratos de opção quer sustentar preço do café
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segunda-feira, 19 de agosto de 2002
Rosana Félix<br> Equipe da Folha 
Curitiba O governo federal realiza amanhã em Brasília o primeiro leilão de contratos de opção de venda do café. A modalidade, inédita na comercialização do produto, foi lançada para sustentar os preços do café, que estão no nível mais baixo dos últimos anos. Nesse primeiro leilão, a Companhia Nacional do Abastecimento (Conab) vai ofertar 600 contratos de café arábica no Paraná, com vencimento para dezembro deste ano ao preço de R$ 130,00 a saca de 60 quilos.
Podem adquirir o contrato os produtores rurais ou suas cooperativas, através de um corretor credenciado. O contrato funciona como um seguro de preço e serve para proteger o produtor contra os riscos de queda nos preços de seu produto. O preço médio de uma saca de café no Estado está em R$ 73,00 e cerca de R$ 90,00 em Londrina. O governo vai pagar R$ 130,00 nos contratos de dezembro para o café arábica e R$ 77,00 o café robusta. Os contratos para março serão ofertados em um leilão posterior, a R$ 135,00 a saca do arábica e R$ 80,00 a do robusta.
Para adquirir cada contrato, equivalente a 100 sacas, o produtor deve pagar um prêmio mínimo de R$ 0,65. A expectativa do mercado é de que o leilão tenha muita procura e o valor do prêmio aumente. Mesmo assim o setor produtivo do café ficou bastante satisfeito com a medida. ''Os próprios cafeicultores estavam reivindicando esses contratos há algum tempo'', afirmou o secretário-executivo do Comitê do Café da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), Nilson Camargo.
Segundo o gerente comercial da Cocamar, Maurício Gonzaga, os contratos com opção de venda têm funcionado muito bem com outros produtos. ''Se o mercado evoluir e o preço for melhor, não há obrigação de entregar para o governo'', observou. Para ele, o produtor que puder esperar para comercializar o café terá outras vantagens. O governo federal está oferecendo financiamento para estocagem do café para até 18 meses.
O valor de R$ 130,00 pela saca do café arábica, o único produzido no Paraná, é considerado razoável. ''Não é um preço magnífico, mas é muito melhor do que agora'', disse Gonzaga. Para o operador de mercado da Copacol, Domício Zabordi, vale a pena adquirir os contratos, mesmo com os custos de corretagem. A cooperativa tem 40 mil sacas estocadas.
A redução dos preços do café ocorreu por causa da elevada oferta mundial. A estimativa de consumo mundial do produto está em 109 milhões de sacas, sendo que a produção é de 115 milhões de sacas. O Brasil, maior produtor mundial, deve colher 44,6 milhões de sacas, uma safra recorde. A produção do Paraná deve chegar a quase 2 milhões de sacas.


