Leilão de café não atrai produtores
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quarta-feira, 04 de setembro de 2002
Guto Rocha<br> Reportagem Local 
Londrina - O leilão de contratos de opção de café realizado ontem pelo governo teve pequena procura. Dos 13 mil contratos ofertados (entre café arábica e robusta) foram arrematados 3,575 mil, o que representa 27,5% do volume disponibilizado. Com o baixo interesse dos cafeicultores e cooperativas os negócios foram feitos pelo preço de abertura, que é de R$ 65,00. Segundo o superintendente da Bolsa de Cereais e Mercadorias de Londrina (BCML), Benedito dos Santos Sobrinho, no Paraná, foram ofertados 700 contratos e comprados 391, o que representa 55,85% do volume disponibilizado.
Sobrinho disse que o resultado do leilão de ontem não surpreendeu o mercado por causa de três fatores. O primeiro, segundo Sobrinho, é a exigência do governo no que se refere à qualidade (o produto deve ser de bebida dura, tipo 6). ''A oferta desse tipo de café no Paraná é pequena'', comentou.
Outro fator que acabou interferindo no resultado do pregão, de acordo com Sobrinho, é a exigência de que o produto seja entregue em sacaria nova de juta. ''Esse ponto é polêmico porque a informação que circula no mercado é de que há dificuldade de se encontrar este tipo de saco, e que a matéria-prima (juta) está sendo importada'', comentou. O terceiro ponto é a indefinição quanto às empresas que serão credenciadas para emitir o laudo que atesta a qualidade do produto'', comentou.
Reação A realização dos leilões de contrato de opção já deram sustentação para os preços da comoditty reagirem. Segundo o corretor de café em Londrina, Devanil Vicente Ferreira, as cotações passaram de R$ 85,00/R$ 90,00 antes dos leilões para R$ 105,00 e R$ 107,00 para o café fino do Paraná. ''Acreditamos que os preços devam atingir o patamar desejável antes da entrega do café para o governo (dezembro)'', comentou.
Segundo o corretor, a cotação ''desejável'' seria em torno de R$ 115,00 e R$ 120,00. ''Com estes preços já fica inviável entregar o café nos armazéns do governo'', comentou Ferreira. Ele observou que para depositar o produto, ficou estabelecido o preço de R$ 130,00 a saca. Mas Ferreira observou que para entregar o produto, o cafeicultor deve levar em consideração as taxas e o deságio por qualidade que deve ficar em torno de R$ 15,00. ''Em Minas Gerais, os preços que estão entre R$ 120,00 e R$ 123,00, já não compensa entregar o café ao governo'', disse.
Segundo o superintendente da Bolsa de Mercadorias e Futuros de Londrina, Bruno Teremussi Neto, o próximo leilão para entrega em dezembro será no dia 11 de setembro, quarta-feira. ''O leilão de 2 de outubro já será para entrega no início de março'', comentou Teremussi. O preço do produto para entrega ao governo ficará em R$ 138,00, e o preço de abertura se mantém em R$ 65,00.


