A primeira etapa do terceiro leilão de áreas de exploração de petróleo no Brasil foi marcado ontem por estratégias agressivas de seis empresas estrangeiras que ainda não atuavam no País. O destaque foi a texana Phillips, que dispensou parceiros e arrematou dois blocos: um na bacia do Espírito Santo (o mais disputado) e outro na do Pará-Maranhão, num total de R$ 154 milhões.
O preço mínimo fixado pela Agência Nacional do Petróleo (ANP) para cada área variava entre R$ 100 mil e R$ 300 mil. Das 27 áreas ofertadas, nove não foram vendidas. A arrecadação total chegou a R$ 461 milhões, que irão para o caixa do Tesouro Nacional. O leilão prossegue hoje com a oferta de mais 26 áreas.
A Petrobras também investiu pesado mas não foi, como anteriormente, a estrela da festa. Participou da disputa por 11 áreas, venceu em sete, mas sozinha em apenas três, que representaram investimentos de R$ 49,4 milhões. O presidente da estatal, Henri Philippe Reichstul, chegou ao leilão dizendo que a empresa teria uma participação forte e que disputaria áreas sozinha. ‘‘Somos a maior empresa do Brasil e temos interesse em relação a muitos desses blocos’’, disse. O resultado, porém, não correspondeu.
Em agosto, a Petrobras terá de devolver, pelo menos, 51 concessões de petróleo à ANP, áreas onde não conseguiu descobertas viáveis para a produção de petróleo no prazo legal de três anos a partir da abertura do mercado e que deverão ser negociadas nos próximos leilões. Este total poderá chegar a 62 concessões, admitiu o diretor de Exploração e Produção da empresa, José Coutinho Barbosa. Em 36 desses blocos, a estatal havia obtido do governo a excepcionalidade de prorrogar o prazo legal, caso houvesse algum indício comprovado da existência de petróleo. Em 24 deles, a empresa conseguiu declarar a descoberta. Outros 12 estão sob risco de devolução.
As norte-americanas Amerada Hess e Ocean Energy foram o segundo destaque do leilão. As duas desembolsaram R$ 133 milhões por dois blocos em Campos, bacia que concentra 85% da produção de petróleo nacional, e alternaram-se na operação de ambos. A alemã Wintershall venceu sozinha a disputa por blocos em Campos e Espírito Santo, por R$ 75,4 milhões.
O diretor-geral da ANP, David Zylbersztajn, considerou muito bom o resultado, com venda de dois terços das áreas colocadas à venda. ‘‘Nossa preocupação não era vender todas as áreas, mas testar o mercado. O importante é que ultrapassamos a barreira de 40 empresas estrangeiras no País e o interesse dessas companhias confirma a invulnerabilidade do processo a crises como a atual, do setor elétrico’’, afirmou.

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