O leilão do Sistema Telebrás tem 76 interessados. Esse é o número de empresas que entregaram os documentos para a pré-qualificaram para a compra das 12 holdings que serão vendidas na maior privatização do País, no dia 29. O número foi divulgado ontem à noite pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). A lista com o nome das empresas inscritas deverá ser conhecida na quinta.
O prazo para a entrega da documentação necessária à pré-qualificação, que se encerraria ontem, havia sido adiado pelo Ministério das Comunicações até as 14 horas de ontem.
No último minuto, ainda chegaram representantes dos bancos Icatu, Bozano,Simonsen, Fator e FonteCindam à CLC (Caixa de Liquidação e Custódia) da Bolsa do Rio, onde era feita a entrega dos documentos. Faltando menos de uma semana para o leilão, os candidatos à compra do controle das estatais ainda negociam a formação de consórcios.
Os fundos de pensão vêm trabalhando diariamente na formação de, pelo menos, três consórcios. Um deles já foi fechado com a americana Sprint e com o Banco Opportunity, para concorrer à venda da Embratel. Para a telefonia fixa, seis fundos de pensão - Previ (Banco do Brasil), Fundação Cesp, Telos (Embratel), Funcef (Caixa Econômica Federal), Sistel (Telebrás) e Petros (Petrobrás) - estão negociando com a Italia Telecom.
O diretor da Globopar, empresa-mãe das Organizações Globo, Mauro Mouchansky, confirmou que o grupo vai para o leilão em consórcio com a Itália Telecom e com o Bradesco, mas disse que ainda não está definida a participação societária de cada um.
Se a Globo comprar 20% ou mais do capital com direito a voto de uma das empresas da telefonia fixa local - Telesp, Tele Norte Leste e Tele Centro Sul -, não poderá obter outras concessões de TV paga por cabo dentro da área de atuação dessas companhias telefônicas. ‘‘O problema existe, e estamos montando nossas opções de participação em função dele’’, afirmou.
A contra-informação está sendo usada pelos candidatos para confundir os concorrentes. A maioria dos interessados limita-se a confirmar sua presença no leilão, mas diz que as parcerias só serão fechadas na sexta-feira.
O presidente do Banco Pactual, Luiz Cezar Fernandes, disse que vai disputar o leilão como investidor pela Pactual Electra, sem intenção de adquirir controle das teles. ‘‘Participação em leilão é coisa que se decide no último minuto’’, disse o empresário, depois de se encontrar com o ministro Luiz Carlos Mendonça de Barros (Telecomunicações), no Rio.
O grupo Inepar, do Paraná, sócio do serviço de telefonia celular privado no Paraná e em Santa Catarina, informou que ainda negocia uma eventual formação de consórcio, podendo até disputar o leilão sozinho, segundo Heitor Vita, diretor de Telecomunicações.
O presidente da MCI do Brasil, Luís Rodrigues, diz que está havendo mexida na formação dos consórcio em função do comunicado do BNDES que definiu a participação relevante no capital das teles.
O edital do leilão dizia que um mesmo consórcio só poderia ter 20% ou mais das ações com direito a voto em uma empresa de telefonia fixa e em duas de telefonia celular - sendo uma celular nas regiões Sul e Sudeste e outra nas demais.
Grupos estrangeiros que têm parcerias na Europa e nos Estados Unidos entenderam que poderiam comprar várias empresas, desde que em cada uma delas tivesse menos de 20%.
O comunicado do BNDES jogou uma pá de cal sobre essa intenção, ao afirmar que o percentual se aplica sobre a soma dos parceiros. A MCI estudava participar da compra da Embratel em parceria com a Portugal Telecom e com a Telefónica de Espa¤a. Seu presidente no Brasil estuda novas parcerias.
Todas as 14 salas oferecidas pela Bolsa do Rio para as empresas que vão concorrer ao leilão já foram reservadas. Mais da metade das salas está reservada em nome de grupos estrangeiros, entre elas as americanas SCB,
Air Touch e MCI.
A Sprint, gigante americana da área de telecomunicações, foi alvo de boatos na tarde de ontem. Informações de que a empresa tinha desistido de sua sala colocaram em dúvida sua participação no leilão. Mas a empresa já se pré-qualificou, no consórcio que inclui o Banco Opportunity e seis fundos de pensão, e confirmou o interesse pela Embratel.

mockup