O governo vendeu ontem, por R$ 2,64 bilhões, três autorizações para prestação de telefonia celular na banda D. Duas licenças foram compradas pela TIM (Telecom Italia Mobile) e a outra, pela Telemar. As novas prestadoras do serviço deverão começar a funcionar no início de 2002.
As duas empresas foram as únicas participantes do leilão, realizado ontem na Bolsa de Valores do Rio. As bandas C, D e E são frequências que integram os novos serviços de telefonia móvel no país (Serviço Móvel Pessoal). A arrecadação com a venda dessas autorizações ficará abaixo das projeções do governo.
Telemar e TIM anunciaram investimentos bilionários e preços mais baixos do que os das concorrentes. O investimento da Telemar, para os próximos três anos, será de R$ 2 bilhões. O da empresa italiana chegará a R$ 3 bilhões em cinco anos. O resultado do leilão precisa ainda ser confirmado pela Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) nos próximos dez dias úteis, prazo que pode ser prorrogado.
Apesar de apenas dois investidores terem participado do leilão, o presidente da Anatel, Renato Guerreiro, considerou a venda um ‘‘absoluto sucesso’’ e comemorou o ágio total de 20,6%. A arrecadação do governo deverá encolher ainda mais, porque a TIM terá que ser ressarcida pela devolução de parte das autorizações.
TIMA Telecom Italia Mobile (TIM) que atua no Paraná e nos outros Estados da região Sul, através da empresa Tele Celular Sul, poderá devolver a licença de telefonia móvel que tem para os estados do Paraná, Santa Catarina e Pelotas-RS para a Anatel – Agência Nacional de Telecomunicações. A Tim Celular Sul tem 1,5 milhão de assinantes entre as três empresas que operam a banda A no Sul do País, a Telepar Celular, a Telesc Celular e a CTMR Celular, de Pelotas.
Essa decisão poderá ocorrer dentro de seis meses, prazo que a Telecom Italia tem para optar se opera com a banda A ou com a banda D, da qual saiu vencedora no leilão realizado ontem no Rio de Janeiro. A TIM venceu a licença da banda D para operar nas regiões 3, que abrange o estado de São Paulo, e 2, que abrange nove estados nas regiões Centro-Oeste e Sul (Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás, Tocantins, Rondônia e Acre).
Pelas regras da Anatel, uma mesma empresa não pode ter mais de uma licença em uma mesma região. Portanto, exclusivamente na área de atuação da Tele Celular Sul, terá que optar por apenas uma banda. A diferença entre a banda A e a banda D é a tecnologia. Na banda D, a empresa poderá operar com a tecnologia GSM, totalmente digital que é utilizada nos países da Europa e Ásia.
A intenção da empresa é criar uma plataforma GSM na América Latina, o que vai permitir a consolidação do grupo italiano na América Latina. No mundo, o grupo italino tem cerca de 42 milhões de assinantes, sendo uma das primeiras classificadas no ranking mundial da telefonia móvel. No Brasil, a TIM já tem uma rede de 4 milhões de assinantes entre as subsidiárias Tele Nordeste, Maxitel (Minas Gerais, Bahia e Sergipe) e a Tele Celular Sul.
De acordo com Elis Bontempelli, representante da empresa que está no Rio de Janeiro acompanhando o leilão, a TIM vai investir R$ 3 bilhões no prazo de 5 anos, entre a operação da telefonia da banda D e E, cujo leilão será realizado em março. A TIM arrematou o direito de operar a telefonia móvel na região 2 por R$ 997 milhões, que representa um ágio de 40,42% sobre o preço mínimo fixado pela Anatel.
Segundo Bontempelli, as atuais operadoras controladas pela TIM nas bandas A e B é deverão migrar para a banda D. Ele ressaltou que a tendência à migração para o sistema GSM virá do próprio cliente. Isso porque a nova tecnologia, com mais volocidade e possibilidades, trará mais facilidades para o usuário.

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