Curitiba - Petroleiros de todo o Brasil estão protestando contra o sexto leilão de possíveis poços de petróleo, que será realizado pela Agência Nacional de Petróleo (ANP), órgão vinculado ao governo federal, em agosto. O motivo é que dessa vez a ANP vai conceder áreas que já possuem estudos realizados pela Petrobras (conhecidas como blocos azuis). Isso é, os petroleiros alegam que as empresas que ganharem vão estar em vantagem, uma vez é praticamente certo que nos blocos azuis existe mesmo petróleo. O princípio do leilão é que as áreas concedidas não tenham garantia de que há mesmo petróleo.
Quando a Lei 9.478/97, conhecida como a Lei do Petróleo, quebrou o monopólio da Petrobras de explorar e produzir petróleo no Brasil, a estatal pôde escolher as áreas com que queria ficar (os blocos azuis). Contudo, tinha um prazo de cinco anos para explorá-las. A Petrobras tem estudos em cima de todos os blocos azuis, mas não conseguiu explorar todos a tempo. As áreas do bloco azul que serão leiloadas ficam Bacia de Campos, Bacia de Santos (que passa pelo litoral do Paraná), Bacia do Espírito Santo e Bacia Sergipe-Alagoas. Inclusive, a Bacia de Santos teria, segundo os petroleiros, óleo leve, que é muito importante para a auto-suficiência do Brasil, já que as refinarias do País foram projetadas para ele.
''Está certo que nesses locais têm petróleo. E se as áreas caírem em mãos de empresas estrangeiras, toda a produção acaba sendo exportada, como já acontece hoje. E o Brasil não é muito bem dotado de petróleo para mandá-lo para fora'', argumentou o diretor do Sindicato dos Petroleiros (Sindipetro) do Rio de Janeiro, Silvio Sinedino.
Cerca de 20 entidades sindicais, entre elas o Sindipetro do Paraná e o Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (Crea) do Estado, decidiram ontem em Curitiba que vão fazer atos de protestos e de conscientização da população sobre o assunto. Uma manifestação em frente a ANP, no Rio, já foi marcada para 12 de agosto. Eles querem também um plebiscito para discutir a questão do petróleo no Brasil. ''Queremos discutir a legislação'', afirmou o presidente do Sindipetro do Paraná, Anselmo Ruoso.
A ANP, por meio de sua assessoria de imprensa, alegou que os estudos não garantem que há mesmo petróleo nos blocos azuis, o que só seria confirmado com a exploração. A ANP informou que quando alguma empresa faz estudos sobre uma área que não vai explorar (seja porque perdeu a concessão por não cumprir o prazo, seja porque a área não era sua) tem a obrigação de entregá-los à agência. Contudo, há um prazo de dois anos para que os estudos se tornem públicos.
Além das bacias dos blocos azuis, vão ser leiloadas também as Bacias de Pelotas, de Jequitinhonha, de Camamo-Almada, de Barreirinhas, Pará-Maranhão, Foz do Amazonas (todas essas marítimas), do Espírito Santo, do Recôncavo e do Potiguar (essas terrestres).

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