Leilão abaixo da expectativa
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 18 de dezembro de 2002
Vânia Casado<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Após uma disputa por meio de liminares, a Centrais Elétricas de São Paulo (Cesp) conseguiu realizar o leilão para venda de energia, que contou com a participação da Companhia Energética do Paraná (Copel). O leilão foi realizado após decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ). O ministro João Otávio de Noronha anulou a decisão de primeira instância que concedeu liminar que impedia a suspensão da realização do leilão.
Confirmada a sentença na segunda-feira, o leilão foi realizado no final da tarde do mesmo dia. Mas o resultado ficou abaixo da expectativa. Dos 1.766 Megawatts Médios (MW) ofertados, foram vendidos apenas 49 MW, sendo apenas 1 MW ofertado pela Cesp e 48 MW ofertados pela Copel. A Emae (Empresa Metropolitana de Águas e Energia), que participou do leilão não conseguiu vender energia.
O preço também foi considerado baixo. A energia foi negociada, em média, por R$ 75,00 por MWh, valor inferior ao Valor Normativo (VN), o que reflete a falta de demanda de acordo com analistas de mercado.
Para o analista Marcelo Chapper, da corretora Gerasul, de Porto Alegre, o leilão reflete as incertezas do momento. Segundo ele, as empresas estão reticentes em comprometer seus ativos na compra de uma energia que pode ter seu preço até revisto para baixo, com a vinda do novo governo.
Chapper explica que há uma tendência do novo governo em frear a inflação com o controle dos preços da energia, utilizando como estratégia o sistema Eletrobrás. Se isso ocorrer as empresas correm o risco de comprar uma energia mais cara ou igual, em relação ao que poderá vigorar no ano que vem. ''Por isso, a opção foi adiar a decisão'', disse
De acordo com o site Canal Energia, a Cesp, que ofertou um bloco de 900 MW médios em contratos de 10 anos para o Sudeste, vendeu 1 MW médio, ao preço de R$ 74,00. A Emae não conseguiu vender nenhum dos 76 MW médios, que tinham preço mínimo de R$ 71,00, por MWh. Apenas quatro empresas, das 10 participantes, realizaram negócios: Comerc, Ciplan (Cimentos Planalto), Latasa e Ajinomoto, a maior compradora com 23 MW médio.
O resultado foi considerado razoável e satisfatório diante das circustâncias atuais, disse o diretor técnico e comercial da Copel Geração, Sergio Luiz Lamy.
Lamy destacou que a Copel Geração continua atenta ao mercado comprador de energia e anunciou que a empresa pretende participar do leilão das distribuidoras, que poderá ser realizado no ano que vem. O leilão das distribuidoras está sendo formulado pelo atual governo e vai funcionar ao contrário. As empresas interessadas é que vão colocar num sistema de pregão o prazo e o preço que querem comprar a energia.


