São Paulo - A expansão da capacidade brasileira de geração de energia elétrica parece estar mesmo nas mãos dos projetos eólicos. Pelo menos essa é a sinalização dada ao observar os preparativos para o leilão A-5, que contratará energia a partir de 2016, marcado para 20 de dezembro.
A fonte eólica já respondia pelo maior número de projetos de geração elétrica cadastrados para o leilão: 78,5% dos 377 projetos. Agora, diante da perspectiva de falta de contratos de fornecimento de combustível para as térmicas e das dificuldades para obtenção de licenciamento ambiental para a maior parte das novas usinas hidrelétricas cadastradas, é possível que essa fonte também responda pela maior volume de energia que efetivamente será ofertado no leilão. Juntos, os projetos eólicos respondem por 7.486 MW dos 24.253,6 MW cadastrados.
Foram inscritos 34 projetos térmicos à gás natural, que somam 12.864,9 MW de capacidade instalada, sendo a fonte com maior volume de energia cadastrado. No entanto, para estarem efetivamente habilitadas a participar da disputa, as empresas precisavam enviar, até o último dia 4, uma Declaração de Capacidade de Fornecimento de Combustível. A atual principal fornecedora do gás, a Petrobrás, informou que não forneceria o combustível para os projetos cadastrados. Restariam às empresas buscar no mercado outros fornecedores de gás cuja dificuldade maior é comprovar que tem o insumo até 2035.
A situação dos novos projetos hídricos não é muito melhor. Foram cadastrados dez aproveitamentos hidrelétricos, com capacidade total de 2.160 MW, no entanto apenas três deles possuem licença ambiental prévia, condição para participar da disputa. Outras empresas vêm enfrentando dificuldades para obter o documento, inclusive com disputa judicial.
Se novos capítulos dessas disputas não forem favoráveis ao governo, possivelmente as eólicas podem ser beneficiadas na disputa de 20 de dezembro. Valerá verificar, além dos projetos concorrentes, a trajetória de preços da energia proveniente dos vendas, se continuará a mostrar queda, como se observou até agora, passando de R$ 148,39/MWh, em média, do primeiro leilão voltado para eólicas, em 2009, para R$ 99/MWh, observado no último leilão A-3, realizado neste ano.
Seja como for, o 2.º anuário de Energias Renováveis da consultoria Informa Economics FNP cita projeções de associações setoriais que indicam que a energia eólica vai ampliar sua participação na matriz energética brasileira de 1% para 5,9%, da produção total de eletricidade até 2014. Até 2020, o Brasil deverá se posicionar entre os cinco maiores produtores de energia eólica do mundo, com capacidade instalada de 20 GW.

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