Curitiba - A Lei Seca, que está em vigor desde 20 de junho, já trouxe reflexos para a economia. As cervejarias tiveram que reduzir a produção. Os supermercados aumentaram as vendas de cerveja sem álcool e de bebidas alcoólicas para consumo doméstico. A boa notícia é que, devido ao número menor de acidentes, as seguradoras estudam uma redução de até 15% no valor dos seguros de carros, o que deve ocorrer dentro de seis meses.
A Cervejaria Spoller, de Londrina, registrou uma queda de 12% a 14% na produção desde 20 de junho até agora. Por conta disso, foi necessário reduzir a escala de dois turnos de trabalho para um. Alguns funcionários foram redirecionados para outros setores e 30 temporários foram demitidos.
A empresa tem quatro anos no mercado e atende o Paraná, Mato Grosso do Sul, Santa Catarina e interior de São Paulo. A produção não é revelada por questões estratégicas. A companhia emprega 120 funcionários diretos e 600 indiretos. Para driblar a queda de produção e vendas gerada pela Lei Seca, a empresa já está planejando investir em outros setores como refrigerantes, água mineral e bebidas não alcoólicas.
O gerente de marketing da Spoller, Marcelo Barreto, disse que a linha de refrigerantes já está em desenvolvimento e que o processo foi acelerado em função da nova lei. Estes produtos devem estar no mercado em um prazo de 90 dias. Hoje a fábrica produz cerveja malzbier, pilsen e chopp, além da soda alcoólica Spollov Ice.
Segundo ele, a fábrica reduziu a entrega de cerveja para restaurantes, pizzarias e casas noturnas. Por outro lado, aumentou o consumo do disque-chopp em casa. ''Tivemos que comprar mais carros para atender o consumo em casa'', disse. O consumo de embalagem em lata para lojas de conveniência caiu 40%.
O assistente de gerência do Sindicato Nacional da Indústria de Cerveja, João Cesar Gollo, disse que houve aumento das vendas de cerveja sem álcool, mas não sabia estimar o percentual. Também foi registrada uma elevação de 20% na venda de cerveja com álcool nos supermercados. O sindicato representa as indústrias Ambev, Kaiser, Cerpa (Pará) e Dado Bier (Porto Alegre). O presidente do Sindicato das Indústrias de Bebidas do Paraná, Luiz Roberto dos Santos, disse que as empresas do Estado ainda não fecharam o balanço de produção depois que a lei entrou em vigor.
No período de 20 de junho a 20 de julho, a rede de supermercados Big registrou um aumento de 45% nas vendas de cerveja sem álcool comparado com o mesmo período de 2007. Houve também elevação nas vendas de destilados, espumantes e cerveja com álcool e queda em vinhos. O Big não passa o percentual das vendas destas bebidas por questões estratégicas.
O Grupo Pão de Açúcar informou que a lei trouxe aumento de 20% nas vendas de cerveja sem álcool. Outra mudança percebida foi o aumento do consumo doméstico, em que a procura por cerveja cresceu aproximadamente 15% nas duas primeiras semanas do mês em relação há 12 meses. Esse aumento pode ser atribuído à Lei Seca, uma vez que o inverno não registra alta na venda deste produto com frequência.

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