São Paulo- A lei seca vem impulsionando um produto até então relegado ao segundo plano nas estratégias de venda e marketing das grandes companhias de bebida: a cerveja sem álcool.
Somente no mês de julho, a AmBev aumentou em 66% as vendas da principal cerveja do segmento, a Liber, em comparação com o mesmo mês do ano anterior. As vendas da Bavaria sem álcool, da Femsa, cresceram 69,5% no mesmo período.
Segundo as empresas, a tendência é que os números cresçam ainda mais. Atualmente, a participação desse segmento de cervejas -com teor alcoólico abaixo de 0,5%- no mercado brasileiro ainda é tímida, em torno de 0,75% do total, bem abaixo da média de países como Espanha, Estados Unidos e Alemanha, acima de 5%.
''Esse é um mercado com oportunidades muito interessantes de crescimento. A Liber é agora uma prioridade de nossas equipes de venda'', diz Sérgio Eleutério, gerente de marketing da AmBev.
''O que mudou no segmento com a nova lei é que a cerveja sem álcool era um produto para quem, por motivos diversos, não tinha a opção de consumir a cerveja com álcool. Agora passa a ser uma alternativa para quem tem essa opção.''
A importância estratégica do produto motivou a AmBev a incluir a Liber nas vinhetas de patrocínio do Campeonato Brasileiro de Futebol, assistido por milhões de espectadores.
Mais do que reforçar as vendas, o impulso do segmento de cervejas sem álcool com a lei seca também se reflete em uma verdadeira corrida pela criação de novos produtos. A cervejaria Petrópolis, que produz a cerveja Itaipava desde 1994, anunciou recentemente a criação da Itaipava sem álcool. Nos próximos dias, a AmBev também chega aos bares com o primeiro chope sem álcool produzido no país: o chope Liber.
A Femsa também pretende lançar em breve uma versão de chope Bavaria sem álcool. ''O investimento no chope sem álcool é uma tendência natural do mercado cervejeiro e das cervejas sem álcool'', diz a gerente de relações institucionais da Femsa, Renata Zveibel.
O objetivo é alcançar consumidores que gostam do produto e ainda não têm uma alternativa sem álcool. Choperias e restaurantes (os maiores prejudicados pela nova lei) nas grandes capitais serão os alvos dos novos produtos.
No futuro, a tendência é que cervejas sem álcool saborificadas e de tipos diferentes (hoje existem apenas as do tipo pilsen no mercado local) sejam oferecidas aos consumidores.
''Em um primeiro momento, é preciso apresentar a própria cerveja sem álcool, um produto ainda desconhecido por grande parte dos consumidores brasileiros'', explica Eleutério, da AmBev. A partir do momento em que se torna um produto estratégico, essa cerveja tende a melhorar em termos de qualidade e sabor, como ocorreu com os refrigerantes diet, diz.
A preparação das empresas de bebidas para a lei seca vem acontecendo há mais de um ano, desde as primeiras sinalizações sobre a nova lei. Como o impacto sobre as vendas dos produtos com álcool tende a ser negativo -as empresas afirmam que é prematuro estimar a dimensão-, a saída foi buscar novas oportunidades. E o segmento de cerveja sem álcool surgiu como a melhor opção.
Segundo a Femsa, o efeito de queda nas vendas com a nova lei é ainda específico no segmento chope, que corresponde de 2% a 4% do total de vendas, dependendo da empresa.
Ao mesmo tempo, as vendas de cervejas nos supermercados cresceram, como resultado da preferência pelo consumo da bebida em casa.

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