Lei permitirá a Copel investir em telefonia e comunicação de dados
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quinta-feira, 08 de maio de 1997
Carmem Murara Sucursal de Curitiba 
Os deputados devem votar na próxima segunda-feira um projeto de lei que permitirá à Companhia Paranaense de Energia (Copel) estender a atuação da empresa além do setor energético. Se o projeto for aprovado, a Copel poderá ter participação acionária em empresas de telefonia celular, comunicação, transmissão de informações eletrônicas e até mesmo em transporte. O projeto foi aprovado esta semana na Comissão de Constituição e Justiça.
Pelo texto do relator da matéria, deputado Ademar Traiano, a Copel terá autorização para investir em empresas com qualquer percentual acionário. Por enquanto, a Copel só pode entrar num investimento se for a controladora acionária. E mesmo assim, ela está restrita ao setor de energia. Em todos os investimentos que a Copel tem no Estado, ela participa com mais de 50% das ações.
Segundo o presidente da Copel, Ingo Hubert, a empresa tem 25 projetos de investimento na área de energia. Todos serão desenvolvidos em parceria com a iniciativa privada. Na maioria dos casos, a Copel não tem interesse em deter o controle acionário dos projetos e deve ficar com no máximo 30% das ações. A aprovação do projeto irá maximizar a capacidade de mobilização de capitais por parte da Copel, sem comprometer os recursos do Paraná, disse Hubert. Ele afirmou ainda que a mudança permitirá que a Copel realize maior número de projetos com o mesmo volume de recursos.
Por enquanto, a Copel não tem definição de planos de investimento em outros setores que não sejam os energéticos. Mas com a aprovação do projeto de lei, a empresa estará habilitada em investir no setor da telefonia, que é considerado um dos mais atraentes para a empresa. A Copel tem que ser competitiva para não perder mercado, afirmou Hubert.
O projeto de abertura da capacidade de investimento da Copel deve encontrar resistência por parte de deputados da oposição. O deputado Florisvaldo Fier (Dr. Rosinha-PT) acusa o governo de estar preparando a empresa para a privatização. A intenção é ampliar o mercado de atuação da Copel e depois privatizar a empresa, denunciou Rosinha.
Em um parecer encaminhado para a Copel, o governo garante que não tem planos de privatizar o setor de energia. Para passar a Copel para a iniciativa privada, o governo precisará alterar a lei estadual que trata do assunto. Pela lei, o Estado não pode perder o controle acionário da Copel.


