A partir do próximo dia 12, empresas brasileiras que exportam alimentos para os Estados Unidos terão que se adequar às exigências da Lei do Bioterrorismo, aprovada pelo congresso americano para impedir a introdução intencional de pragas e zoonoses no país por meio dos produtos importados. Com a nova lei, exportadores terão que informar, antes do desembarque da carga, a composição e a origem de todos os componentes usados para a fabricação dos produtos. Também precisarão manter um agente em território norte-americano, que responderá por eventuais problemas com a mercadoria.
A nova exigência pode impulsionar o processo de rastreabilidade da carne brasileira. O Brasil, por não conseguir quebrar as barreiras sanitárias impostas ao produto in natura, vende apenas carne industrializada aos Estados Unidos. Sebastião Costa Guedes, consultor do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal (Sindan) e diretor para América Central e América do Sul da Federação Internacional para Saúde Animal (Ifah), acredita que a maioria das industrias já se adequou às exigências.
''Se os exportadores não cumprirem a lei, correm o risco de não conseguirem desembarcar a mercadoria'', comentou, acrescentando que, a longo prazo, a legislação pode se tornar uma barreira não tarifária. Por outro lado, a adequação pode abrir caminho em outros mercados exigentes que tomam as normas dos EUA como referência para importação de alimentos. ''É o caso dos países do Sudeste Asiático'', exemplificou.
De janeiro a setembro de 2003, as importações norte-americanas de preparações alimentícias e conservas de bovinos brasileiros renderam US$ 103 milhões. No mesmo período, os negócios referentes às vendas externas de carne industrializada nacional totalizaram R$ 241 milhões, o que corresponde a 25% do total da receita das exportações de carne. As informações são de Gustavo Fanaya, economista do Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados do Paraná (Sindicarne).
Ele informou que o Paraná não exporta carne para os Estados Unidos pois não há, no Estado, indústrias que fabriquem carne em conserva ou cozida e enlatada. ''A maioria das empresas está em São Paulo'', disse. A carne industrializada tem maior valor agregado. Enquanto o quilo do produto in natura custa US$ 1,50, o quilo da carne processada sai por US$ 2,50 no mercado internacional.
Em 2003, o Brasil deve exportar 800 mil toneladas de carne bovina. Até setembro, já tinham sido negociadas 596 mil toneladas, volume que superou o total exportado em 2002.

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