Em Ponta Grossa entrou em vigor no mês de novembro uma lei municipal que exige que as receitas que saírem dos postos de saúde sejam datilografadas ou digitadas. Proposta pelo vereador Alessandro Lozza de Moraes (PDT) a lei foi aprovada em novembro do ano passado e previa um prazo de um ano para que os postos fossem adequados.

Mas o prazo não foi suficiente. O diretor de saúde comunitária da prefeitura, Valmir de Santi, explica que a prefeitura está buscando recursos junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social para informatizar toda sua estrutura, incluindo os postos. Enquanto o recurso não chega, algumas unidades estão sendo informatizadas através das verbas destinadas pelo Programa Saúde da Família. Mas por enquanto só três dos 43 postos na cidade trabalham dentro do programa.

O vereador conta que resolveu propor a lei depois que tomou conhecimento de um estudo feito por acadêmicas do curso de Farmácia da Universidade Estadual de Ponta Grossa. De todas as receitas emitidas em postos de saúde durante um ano, 80% foram escritas de forma difícil de entender e destas 20% eram ilegíveis. ''O paciente do sistema público já sofre porque passa por uma consulta relâmpago e ainda precisa decifrar o que o médico escreveu'', critica Moraes.

Para o presidente do Conselho Regional de Medicina do Paraná, Luiz Salim Emed, a lei é válida porque reduz a possibilidade de risco para o paciente, no caso de um erro de interpretação de uma receita ilegível. Porém, ele teme que a prefeitura passe a investir em informática e abandone outras aquisições, que seriam mais importantes. ''Tenho medo que as prioridades se invertam. Se o médico tiver consciência de que precisa escrever de forma legível, o problema pode ser resolvido sem custo nenhum''. ( D.A. )

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