Produtos agrícolas terão que cumprir novas exigências para serem exportados aos Estados Unidos
São Paulo A Lei do Bioterrorismo dos Estados Unidos, que entra em vigor no dia 12, pode provocar perdas 15% nas exportações brasileiras nos primeiros seis primeiros meses. Embora a estimativa não seja precisa, até porque foi feita pela Food and Drug Administration (FDA), o secretário-executivo da Câmara de Comércio Exterior (Camex), Mario Mugnaini Júnior, explicou que essas perdas serão fruto de um desabastecimento de alimentos, também de 15%, no mercado norte-americano por causa da nova lei.
''Estamos imaginando que esse porcentual, calculado pela FDA, também vale para as nossas exportações'', disse o secretário, que participou ontem, em São Paulo, do seminário ''A Lei Norte-Americana do Bioterrorismo'', organizado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Câmara Americana de Comércio (Amcham) e pelo Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital).
''Estimamos que, em seis meses, essas perdas caiam para 10% e, depois, para 5%'', disse o secretário. ''Estamos caminhando para um campo complexo das relações comerciais que trará custos.'' Mugnaini lembrou que o Brasil exporta US$ 17 bilhões para os Estados Unidos, dos quais cerca de US$ 5 bilhões se referem a produtos do setor de agronegócio que, inevitavelmente, serão enquadrados pela Lei do Bioterrorismo.
No ano passado, o setor exportou pouco mais de US$ 4 bilhões para os Estados Unidos. Essa cifra é quase 20% de tudo que o País vende de produtos agrícolas para o mundo. O setor de agronegócios no Brasil é responsável por 29% do PIB, responde por 42% das exportações totais e representa 37% dos empregos.
Mas, agora, os exportadores terão de enfrentar, além de regras fitossanitárias, sobretaxas, cotas e subsídios, essa lei, criada depois dos ataques às torres gêmeas do World Trade Center no dia 11 de setembro de 2001. Quem não se adaptar às novas regras estará fora do maior mercado consumidor do planeta e ainda correrá o risco de ver sua mercadoria apreendida e incinerada.
''A lei será uma bíblia do exportador de alimentos e de fármacos. Quem não a seguir, não entra nos EUA'', alertou Cathy Sauceda, diretora para Assuntos de Bioterrorismo do Departamento de Segurança Interna dos EUA. Em quase duas horas de exposição detalhada na sede da Fiesp, a funcionária do governo norte-americano explicou para cerca de 150 operadores de comércio exterior, empresários e agentes portuários que a lei vai afetar a forma de fazer negócios com os EUA.
Cathy disse que, faltando menos de duas semanas para a entrada em vigor da lei, apenas 75 mil empresas do mundo se cadastraram na FDA. Ela acredita, no entanto, que até o dia 12 de dezembro cerca de 400 mil companhias (200 mil norte-americanas e 200 mil de fora) venham se cadastrar na FDA. O governo norte-americano estima que cerca de 1 milhão de empresas do mundo todo vão precisar se cadastrar para poder exportar para os EUA.

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