Lei de Cultivares chega ao Planalto
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terça-feira, 22 de julho de 1997
Mariângela Heredia Agência Estado Brasília 
O Ministério da Agricultura anunciou ontem que vai encaminhar ainda hoje ao Palácio do Planalto a minuta de decreto para a regulamentação da lei de cultivares, sancionada no dia 28 de abril. A própria lei estabeleceu o prazo de 90 dias para a regulamentação, e a partir da próxima segunda-feira o País já deverá ter as normas para o funcionamento do Serviço Nacional de Proteção de Cultivares (SNPC), que será o órgão competente para a proteção de cultivares.
O coordenador geral de desenvolvimento vegetal do Ministério, Manoel Olímpio, disse que será criada uma Comissão Nacional de Proteção de Cultivares, de caráter consultivo e de assessoramento ao SNPC, com representantes do governo e da iniciativa privada.
Embora a lei determine a inclusão de pelo menos cinco espécies passíveis de proteção no primeiro ano de vigência, o Ministério da Agricultura pretende começar com oito culturas: arroz, algodão, batata, feijão, milho, soja, sorgo e trigo. O prazo de vigência da proteção é de 15 anos, exceto para árvores ornamentais, videiras, árvores frutíferas, florestais e ornamentais, que terão prazo de 18 anos.
A lei estabelece que todo pesquisador, cientista ou empresa que criar novas variedades de plantas a partir do melhoramento genético receberá royalties de 3% a 5% sobre o que for comercializado ou multiplicado a partir de sua pesquisa.
Olímpio, que também coordenou o subgrupo de cultivares do Grupo Interministerial de Propriedade Intelectual (GIPI), defende a idéia de que o Brasil só comece a aplicar para valer a proteção de cultivares após a adesão à União Internacional de Proteção de Obtenções Vegetais (UPOV). Assim já começaríamos respaldados pelo órgão de proteção internacional, que nos daria segurança quanto à autoria da nova variedade descoberta, explicou. Ele acredita que até o final de agosto o Ministério das Relações Exteriores poderá pedir a adesão do Brasil à convenção de 1978 da UPOV.
Segundo ele, vários países têm demonstrado interesse na lei de proteção brasileira para trazer novas variedades para multiplicação no País. A Holanda tem novas variedades de flores e batatas mais produtivas que quer introduzir no País e aguarda a proteção da lei, disse. Ele acredita que, a exemplo do que está ocorrendo no Chile, muitas empresas virão para o Brasil produzir sementes para exportação, aproveitando o solo e o clima do País, além da oportunidade de vendas para o mercado interno.
A multinacional Monsanto, por exemplo, já tem uma variedade de soja resistente ao cancro da haste e só aguarda a regulamentação da lei para registrá-la no País.


