Lei de cultivares beneficia consumidores, diz Abrasem
Lei de cultivares beneficia
consumidores, diz Abrasem
Da Redação
Paulo WolfgangBenefício comumYwao Miyamoto, presidente da Abrasem: lei é salto de qualidadeO presidente da República deve assinar nos próximos dias a regulamentação da Lei de Proteção de Cultivares, aprovada no começo do ano pelo Congresso Nacional e sancionada no dia 28 de abril. A Lei das cultivares, como é conhecida, também está no temário do 10º Congresso Brasileiro de Sementes e Mudas e Simpósio Internacional de Patologia de Sementes, que começam neste domingo em Foz do Iguaçu.
Para o presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Sementes e Mudas (Abrasem), o empresário paranaense Ywao Miyamoto, os benefícios da Lei de Proteção de Cultivares vão, também, para os consumidores e para a economia do País. A nova lei é muito mais do que um novo regulamento exclusivo do setor de produção de sementes, afirma, depois de explicar as mudanças decorrentes da lei 9.456.
Miyamoto participou das discussões e redação do texto da lei desde o início, como vice-presidente da Abrasem e encarregado pela entidade para representar o setor nas discussões técnicas e políticas sobre a nova lei. A lei não beneficia um segmento, no caso o sementeiro, ela confere benefícios em toda a cadeia produtiva, disse o presidente da Abrasem.
Segundo Miyamoto, a Lei de Proteção de Cultivares representa um salto de qualidade para a agricultura e agroindústria. Nos últimos anos houve avanço no melhoramento genético nos países desenvolvidos. O Brasil estava impedido de participar desse desenvolvimento científico e tecnológico por falta de uma lei que protegesse os direitos de quem investiu em pesquisa. As grandes empresas não entrariam no mercado brasileiro para entregar, de graça, tecnologias que demandaram até 15 anos para ser descobertas, testadas e validadas.
Para Miyamoto, a lei vai estimular as empresas públicas ou privadas a investirem mais em pesquisa. Mas já existem resultados fantásticos, que beneficiam o agricultor, disse. Citou o caso da Monsanto com a soja resistente ao herbicida Roundop . Segundo Miyamoto, grandes empresas têm estruturas gigantescas e tecnologia de ponta que simulam clima no mundo inteiro e, portanto, criam material e técnicas adequadas a cada país. Isto abrevia os resultados.
O presidente da Abrasem também falou sobre as transformações que estão ocorrendo com as grandes empresas: hoje as empresas não estão mais segmentadas: quem trabalhava com herbicida já se associou ou está se associando com quem trabalha com sementes ou outros insumos, sempre buscando mais eficiciência num mercado globalizado e altamente concorrido. Isto no lado empresarial e de negócios. Em ciência e tecnologia, essas empresas avançam com a reengenharia genética que produz as plantas transgênicas. São tomates com maior vida útil. Ou uma soja direcionada para converter mais proteína, mais óleo e menos farelo, por exemplo.
Outro grande avanço está nas sementes. Cerca de 15 anos atrás, lembra Miyamoto, eram necessárias 5 sacas de semente de soja para semear um alqueire. Hoje se utiliza apenas 3 sacos. O presidente da Abrasem cita exemplos de avanço também no melhoramento da genética animal.
O interesse das grandes indústrias de investirem no Brasil é grande. Elas sabem do nosso potencial, segundo Miyamoto. Nos Estados Unidos o horizonte já está esgotado; Argentina e Uruguai são relativamente pequenos. O Brasil é o único país com fronteira agrícola pela frente.





