Lei das teles deixa Sercomtel insegura
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 25 de junho de 1997
Carina Paccola 
Josoé de CarvalhoGuerra de gigantesRubens Pavan, presidente da Sercomtel: Até quando poderemos oferecer esse mesmo nível de serviço e acompanhar a eficiência das empresas que virão para o Brasil?O setor de telecomunicações exige investimentos muito altos e a Sercomtel S/A Telecomunicações não sabe se terá recursos para fazer frente à concorrência futura, que deve acontecer com a abertura completa do mercado. A afirmação é do presidente da Sercomtel, Rubens Pavan. Ele avalia que a Lei Geral das Telecomunicações, aprovada pela Câmara Federal, não deverá sofrer grandes transformações na votação do Senado e é o caminho para a livre competição do setor no Brasil.
De acordo com Pavan, num primeiro momento as grandes empresas vão atender aos centros de maior demanda de telefonia e, na fase seguinte, vão investir nas regiões de média densidade de telefones. Quando todas as demandas estiverem atendidas, as empresas vão disputar todo o mercado. O setor de telecomunicações avança numa velocidade incontrolável. É preciso que a Sercomtel tenha capacidade de investimentos para sobreviver. Em termos atuais, a Sercomtel tem realmente os serviços mais eficientes e atualizados do Brasil. Não posso projetar isso para sempre.
A dificuldade da Sercomtel de aumentar sua fonte de receita, segundo Pavan, ocorre porque a empresa só tem o mercado local para crescer. Até 2005 a Sercomtel tem sua concessão. A partir daí, vai pagar para atuar no setor. O mercado será disputado por grandes consórcios internacionais, como está ocorrendo hoje com o celular, diz. Ele cita os Estados Unidos para ilustrar que a concorrência é tão grande num mercado que já tem a demanda atendida que as empresas oferecem prêmios para convencer o usuário a trocar de operadora.
Pavan diz que após a sanção da Lei das Teles, deve ser concluído o Plano de Outorgas que vai detalhar como vai funcionar o setor. A Lei Geral só dá as linhas gerais. Não sabemos como vai ficar a Sercomtel na Região Sul ou quais as armas que as empresas terão para competir.
Por isso, Pavan diz que é prematuro saber se a Sercomtel deve ser ou não privatizada. Essa decisão é da cidade de Londrina. O cidadão terá futuramente uma situação diferente do que tem há 29 anos com o serviço da Sercomtel. De acordo com ele, no curto prazo a situação da Sercomtel é tranquila. A médio e longo prazos será um futuro nais difícil porque será de competição. A Sercomtel terá capacidade técnica para se manter atualizada? Para se locomover com agilidade no mercado? É difícil visualizar um desenho futuro para a empresa. Essa dúvida é dos técnicos, dos consultores, de todos nós.
Ontem, Pavan e os diretores da Sercomtel estiveram reunidos com o engenheiro Benjamin Sankievicz, consultor em telecomunicações, que trabalhou no Ministério das Telecomunicações e participou dos estudos da Lei das Teles.
Pavan avalia que o governo federal está trabalhando bastante para encurtar prazos. No máximo em dois anos, o governo deve concluir o processo de privatização do sistema Telebrás, se não houver tropeços políticos. Segundo Pavan, não dá para esconder que o momento é de transição. Na opinião dele, os usuários precisam saber que o setor passa por grande transformação. Tem que acompanhar, se informar para poder opinar se a Sercomtel deve ou não ser privatizada. Até quando poderemos oferecer esse mesmo nível de serviço e acompanhar a eficiência das empresas que virão para o Brasil? Eu me sentirei extremamente confortado se qualquer decisão futura tiver respaldo na vontade da população de Londrina.


