Produtores retêm o produto porque sabem que a produção caiu e a importação está mais difícil este ano
Os produtores de milho estão segurando a produção à espera de uma ‘‘explosão’’ nos preços. Com isso, os preços já subiram 13,60% nos últimos 30 dias. O produto que vinha sendo negociado entre R$ 11,00 e R$ 11,50 a saca no atacado, no começo de abril, estava sendo ofertado ontem por R$ 13,00 a saca, em média.
Para o analista da agência Safras e Mercados, Paulo Molinari, a retenção de produto pode não ser uma boa estratégia para os produtores.
Molinari recomenda que o produtor não deve suspender as vendas, como está fazendo agora. Ele sugere que o produtor venda o milho aos poucos para aproveitar as cotações que já estão altas. Segundo Molinari, essa ‘‘alta’’ que o produtor está esperando pode não acontecer e ele pode ficar com o ‘‘mico’’ na mão.
O produtor tem que ter consciência que o preço do milho já é bom e é está proporcionando boa margem de rentabilidade para quem teve boa produtividade. Os produtores que alcançaram o índice de 6.000 kg/ha a 7.000 kg/ha tem uma sobra R$ 3,00 a R$ 4,00 por saca, uma rentabilidade nunca obtida antes, disse Molinari. Ele orienta que se o produtor tiver que especular, que faça com uma parte da safra e não com toda a safra.
Molinari alerta que há o risco de as indústrias importarem o milho em volume maior do que comporta o mercado e os preços caírem. Por outro lado, ele reconhece que o produtor está aguardando mais informações sobre o desempenho da safrinha de miho que está enfrentando sérios problemas de estiagem no Norte do Paraná e em São Paulo. ‘‘Daí a necessidade de vender a safra aos poucos e não retê-la de uma vez, para não enfrentar um mercado invertido na frente’’.
Pressão da indústria Um dos reflexos negativos ao comportamento dos produtores em segurar a safra de milho foi a decisão dos avicultores em reduzir a produção de aves. O presidente da Associação dos Abatedouros e Produtores Avícolas do Paraná (Avipar), Paulo Muniz, disse ontem, em Curitiba, que a produção de frangos será reduzida entre 10% a 15%. E essa medida será sentida pelo mercado nos próximos 15 dias, quando o ciclo de produção nos aviários que tiveram o número de aves alojadas reduzidas, chegar ao fim.
Muniz disse que a decisão foi tomada em função da falta de opção aos avicultores que estão impossibilitados de comprar milho no mercado interno. As empresas de abate de frango se recusam a importar o milho porque o produto disponível no mercado externo é milho transgênico, que inviabiliza as exportações de aves. Segundo o presidente da Avipar, os principais mercados exportadores do milho hoje seriam Estados Unidos e Argentina, locais em que a produção de milho é liberada.

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