A prisão de Anderson Fernandes, que foi revogada ontem, intimidou parte dos vereadores de Londrina. O empresário teria oferecido R$ 40 mil para que o vereador Roberto Fú (PDT) desistisse de lutar contra a Lei da Muralha (9.689/2005). O vereador, que recusou a proposta de propina, é autor do projeto de lei 161/2011, cuja finalidade é revogar a Muralha.
Ontem, somente 4 dos 19 vereadores assumiram que irão votar contra o projeto, que volta à pauta amanhã. São eles: Jacks Dias (PT), Sandra Graça (PP), Joel Garcia (PP) e Lenir de Assis (PT). Os dois últimos afirmam que votariam favorável a um substitutivo que tornasse a Muralha mais branda.
Em enquete feita pela FOLHA em junho do ano passado, os vereadores Eloir Valença (PHS), Ivo de Bassi (PTB) e Jairo Tamura (PSB) também afirmaram que votariam contra o projetto de Fú, ou seja, a favor da Muralha. Os dois primeiros hoje se dizem indecisos e o último não quis revelar o voto.
Por enquanto, Fú pode contar com oito votos declarados - o dele e de mais sete colegas (ver quadro). Mas há ainda sete vereadores que se declaram indecisos ou não quiseram revelar o voto. Nos bastidores da Câmara, vereadores favoráveis ao projeto contavam com o voto de Bassi e Valença.
Para que o projeto vá a primeira votação, será preciso antes derrubar o parecer da Comissão de Justiça, que sugere seu arquivamento. Nesta etapa, Fú precisa de dez votos. Depois, o projeto ainda precisa ser votado em primeira e segunda discussões. Mas, pelo fato de alterar a lei de Uso e Ocupação de Solo, a proposta requer quorum qualificado, ou seja, 13 votos.
''É o momento de votar o projeto que vem sendo discutido há mais de um ano. O caso (prisão do empresário) prova que de fato existe favorecimento nesta lei'', afirma Fú. A Muralha impede a implantação de grandes supermercados (com mais de 1.500 metros) e de casas de material de construção (com mais de 500 metros) em quase toda a cidade, protegendo quem já estava instalado desde 2006. Anderson Fernandes atua no ramo de material de construção.
O vereador também conta com a influência que a campanha de mídia do Movimento Londrina Competitiva (MLC), que pede a derrubada da Muralha, possa exercer sobre os colegas. ''A população vai cobrar dos vereadores que votem a favor do nosso projeto'', aposta.
O presidente da Câmara, Gerson Araújo (PSDB), que em julho se dizia indeciso quanto ao projeto, agora vai votar a favor. ''Até por causa dos últimos acontecimentos, temos de votar favoravelmente'', afirma. Para ele, a campanha dos empresários do MLC vai ajudar a esclarecer a população sobre a Muralha.
''Por ser favorável ao desenvolvimento e ao crescimento econômico de Londrina, sou contra a Lei da Muralha'', afirmou Marcelo Belinati (PP), acrescentando que votou contra o projeto que resultou na lei em 2005 e aquele que a alterou, em 2006. ''A lei não poderia nem ter sido implantada. É uma indecência'', disse Antenor Ribeiro (PSC).
Para o indeciso Padre Roque (PTB), há interesses particulares ''dos dois lados: dos supermercados (pela manutenção da Muralha) e dos imobiliaristas (que querem derrubar a lei)''. ''Vou analisar bem a situação'', declarou.

Imagem ilustrativa da imagem Lei da Muralha passa por momento decisivo
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