Curitiba A aprovação do projeto de lei que proíbe o plantio, manipulação, importação e industrialização de qualquer produto geneticamente modificado no Paraná abriu ontem uma crise política entre o líder do governo na Assembléia Legislativa, Angelo Vanhoni (PT), e o vice-governador e secretário de Estado da Agricultura, Orlando Pessuti (PMDB).
Irritado com a decisão da base governista, que foi contrária ao acordo firmado dias antes com cooperativas e representantes agrícolas do Estado, Pessuti, que passou o dia em Brasília, afirmou por telefone que vai pedir pessoalmente ao governador Roberto Requião (PMDB) que vete o projeto e envie uma nova mensagem à Assembléia Legislativa estabelecendo a proibição apenas para a soja transgênica. ''A nossa luta era para que se proibisse apenas a soja transgênica. Não podemos entrar em outras culturas como o tomate, a batata e o milho'', declarou Pessuti.
Vanhoni rebateu à distância, argumentando que o acordo com os agricultores e cooperativas não prosperou. O deputado petista disse que recebeu manifestações por parte de deputados da base governista e pequenos agricultores, que solicitavam a proibição da comercialização e industrialização de qualquer tipo de produto transgênico. ''Seria um contrasenso legislarmos apenas sobre um tipo de cultura. A transgenia de uma forma geral precisa de estudos aprofundados na área da saúde animal e do meio ambiente. Não há razão para liberarmos um produto e excetuarmos outro'', analisou ele. Vanhoni garantiu que a decisão de apoiar o projeto original de autoria do deputado estadual Elton Welter (PT) foi tomada após conversas com o próprio governador Requião: ''O secretário de agricultura que se acerte com o Requião.''
O deputado estadual Nereu Moura (PMDB) confessou ontem que não entendeu a decisão de Vanhoni de manter o projeto original sem a inclusão de emenda que estabelecesse a proibição apenas da soja transgênica momentos antes da votação em plenário. ''Eu também queria que fosse proibida apenas a soja. Havia esse entendimento na bancada governista. O líder do governo disse que teve um acordo pessoal com o Requião. Acho que foi um erro. O único recurso agora é o governador vetar'', enfatizou o peemedebista.
As discussões sobre o tema demonstraram ontem que nem mesmo os secretários de Estado estão com discurso afinado. O secretário-chefe da Casa Civil, Caíto Quintana, disse que o governo do Estado não tem interesse que o paranaense sirva de cobaia. ''O projeto deveria ser aprovado da forma como foi, para todos os produtos transgênicos. O Pessuti conhecia o teor do projeto. Ele não vai ser vetado. Para frente poderemos até rever esta posição'', declarou Caíto.
O projeto prevê ainda que seja liberada a pesquisa e o transporte de produtos transgênicos dentro do Paraná. No entanto, proíbe a importação e a exportação de transgênicos no Porto de Paranaguá. O projeto cria ainda um Conselho Técnico de Biossegurança para fiscalizar as atividades relacionadas aos organismos geneticamente modificados, sob a supervisão da Casa Civil e a da Secretaria de Estado de Planejamento.

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