Legislação ameaça comércio nos bairros
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 21 de fevereiro de 2001
Benê Bianchi De Londrina 
A abertura do comércio dos bairros de Londrina após às 18 horas em dias de semana e aos sábados à tarde pode estar com os dias contados. A mesma fiscalização feita nas lojas de rua da região central deve começar a percorrer os bairros nas próximas semanas, segundo informações do Sindicato dos Empregados no Comércio.
A entidade pretende formalizar o pedido de fiscalização ao Ministério do Trabalho nos próximos dias. A prefeitura também vai encaminhar seus fiscais para averiguar os alvarás de funcionamento das lojas. A região central começou a funcionar nos horários determinados pelo Código de Postura do Município na semana passada das 8 às 18 horas de segunda à sexta-feira, e das 9 às 13 horas aos sábados , logo após a publicação da sentença do Tribunal de Justiça, determinando que o comércio obedeça a legislação municipal.
Ontem, o prefeito Nedson Micheleti (PT), informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que a prefeitura não irá aplicar multas numa primeira etapa. Por enquanto, será feito um trabalho de conscientização, mostrando aos comerciantes que devem obedecer a lei.
O difícil será convencer os lojistas dos bairros que não devem trabalhar nos horários alternativos. O comércio dos bairros só funciona em função desse horário diferenciado, afirma o presidente da Associação do Comércio e Indústria da Região Norte (Acirenor), José Lauro da Silveira. Ele diz que os comerciantes dos bairros estão unidos e vão recorrer à justiça se forem impedidos de trabalhar. Segundo ele, pode haver demissões.
O mesmo diz o presidente da Associação Industrial e Comercial da Região Oeste de Londrina (Aciroeste), Alécio Thomaz da Rosa. O funcionário é dispensado no horário normal ou compensa as horas trabalhadas. Normalmente, o próprio dono toca o negócio fora do horário normal, comenta.
A gerente da loja Bolivar da Saul Elkind, Madalena Camargo, observa que 50% das vendas da loja são efetuadas no sábado à tarde e no domingo de manhã várias lojas da avenida abrem no domingo no horário de funcionamento da feira livre. Os funcionários fazem revezamento aos domingos e aos sábados são pagas horas extras. Eles ganham até 20% sobre o salário em hora extra, comenta. Na zona oeste, a sócia do Bazar Leovik, Lucinéia Vanzela, diz que em muitos sábados a venda é superior aos dias de semana.


