Legislação ambiental pressiona CUB
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quarta-feira, 08 de junho de 2005
Vânia Casado<br>Equipe da Folha 
Curitiba - A conta da legislação ambiental está chegando ao consumidor. Os materiais de extração, utilizados na construção civil, estão pressionando os custos. Por conta dos aumentos de preços de produtos como areia, cerâmica, granito e madeira, os imóveis deverão ter aumento de preços expressivos até o final deste ano, afirmou ontem o vice-presidente do Sinduscon-PR, Hamilton Pinheiro Franck.
Os materiais de extração estão pressionando o Custo Unitário Básico (CUB) da construção civil, que subiu 0,29% em maio em Curitiba. O índice foi superior ao Índice Geral de Preços de Mercado (IGP-M), da Fundação Getúlio Vargas, que apresentou deflação de 0,22% no mesmo período. Nos cinco meses do ano, o custo da construção apresenta variação acumulada de 1,66%. E nos últimos 12 meses, a variação atinge 7,75%.
O preço do aço, que já aumentou 44,44% nos últimos 12 meses, aumentou mais 5,26% em maio. A areia que já aumentou 27,27% vai subir mais 20% dentro de alguns dias, disse Franck. Segundo ele, as construtoras já estão sendo avisadas pelas empresas extrativas de areia que o rigor das exigências ambientais pressionam os custos e elas não têm como absorver esse impacto.
Outros produtos que tiveram alta em maio foram forro de gesso (4,38%), tubo de PVC para esgoto (4,19%) e telha de fibrocimento (4,09%). Com a variação do CUB, o custo médio de um apartamento com dois quartos, em padrão normal de acabamento em prédio com oito pavimentos, passou para R$ 808,50 o metro quadrado em maio.
Outra pressão de custos deverá vir esse mês com a negociação coletiva dos trabalhadores na construção civil. Segundo Franck, a mão-de-obra representa 50% do custo do imóvel. O empresário disse ainda que o madeiramento utilizado nas obras como portas, caixilhos, rodapés estão com aumentos de preços em função da exigência de certificação da madeira.
Segundo Franck, as construtoras não têm como absorver esses aumentos de custos porque já trabalham no limite. ''Não sobra 5% de margem líquida'', disse o empresário. Para ele, quem não repassar os custos não vai sobreviver no mercado.
Franck não arriscou afirmar qual o percentual no aumento dos imóveis, alegando que depende da demanda. Atualmente, a procura está retraída. ''Nos três primeiros meses do ano, as vendas estavam boas, mas entraram em retração desde que começaram as notícias sobre a crise política''. Segundo o executivo, os consumidores sabem que vão assumir um compromisso de longo prazo e fazem negócios somente quando estão seguros e o cenário político-econômico está mais tranquilo.


