Leasing já tem 25% da venda de veículos
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 20 de outubro de 1997
Agência Estado São Paulo 
A velocidade do crescimento da procura pelo leasing desde o aumento do IOF está surpreendendo os vendedores de carros. Em abril, um mês antes de o IOF ser elevado de 6% para 15%, as operações com leasing representavam 4% dos negócios com veículos zero-quilômetro, segundo dados da Associação Nacional das Empresas Financeiras e de Consórcios em Montadoras (Anef). Hoje a modalidade já responde por 25% das vendas. Como o IOF não incide sobre o leasing, a procura pela modalidade aumentou.
O leasing ganhou, nesse período, uma parte do espaço antes ocupado pelo crédito direto ao consumidor (CDC) que, no mesmo período, teve a participação alterada de 37% para 22%. A venda à vista mantém média de 30% a 35% e o consórcio não tem saído de 18% a 20%. Segundo o vice-presidente da Anef, Luiz Carlos Andrade Jr., também diretor comercial do Banco General Motors, a maior parte dos bancos de montadoras se preparou para o aumento de demanda.
A vantagem é visível desde os carros mais baratos. A prestação de um Corsa financiado em 24 meses, via CDC, é de R$ 456. No leasing o gasto mensal cai para R$ 381. A diferença é de R$ 75 por mês. Na Trans-Am, revenda Chevrolet, o leasing hoje representa quase 60% dos negócios financiados. O CD fica com 34% e o consórcio não tem passa de 8%.
Quem fizer o leasing pela correção em dólar corre mais risco, mas ganha com as taxas. Os juros do leasing em reais fica em 2,74% ao mês. O plano corrigido em dólar tem juros mensais de 1,93%. Quem consegue administrar o orçamento em dólar se beneficia, destaca o vice-presidente da Anef. Somente uma grande desvalorização do real traria prejuízo para quem fechou o contrato em dólar.
O melhor exemplo na Trans-Am foi o contrato recém-fechado com um frentista que ganha R$ 1.500 por mês. O perfil do comprador está mudando, destaca Faraj. Alguns consumidores ainda relutam em ter um carro cujo documento não sai em seu nome. No leasing o carro fica no nome do banco até o final do contrato.
Mas no financiamento o carro também fica alienado, lembra o matemático José Dutra Sobrinho, numa propaganda de um grupo de concessionários Volkswagen de São Paulo. A diferença de 15% no valor do financiamento por conta da ausência de IOF é o grande atrativo, diz o gerente de promoção e vendas da Ford, Cássio Pagliarini.


