A tabela do Imposto de Renda está congelada desde 1996. De lá pará cá, os preços subiram e o salário dos trabalhadores também. O problema é que, como a tabela é a mesma, o número de trabalhadores que deveria estar isento do pagamento de Imposto de Renda diminui. Isso acontece porque a tabela de cálculo do imposto é a mesma, mas a base de cálculo do tributo, que nesse caso é o salário, aumenta com a reposição da inflação.
Pela tabela de Imposto de Renda que está em vigor desde 1996, são considerados isentos do pagamento de Imposto de Renda trabalhadores com salário mensal de até R$ 900. Estudo feita pela Unafisco Sindical, a entidade de representação sindical dos auditores fiscais da Receita Federal, mostra que cerca de 6 milhões de trabalhadores, que deveriam estar na faixa de isenção, transformaram-se em contribuintes por conta do congelamento da tabela.
Segundo a Unafisco, outros 6 milhões de trabalhadores também têm uma parte de seu salário ‘‘confiscado’’, pois são tributados a mais do que deveriam, graças à não correção da tabela, que não considera a inflação do período e permite uma diferença que pode chegar a quase 200% a mais na cobrança do imposto.
Por outro lado, mostra o trabalho dos auditores fiscais, cerca de 14 mil contribuintes, das faixas de renda mais elevadas, foram beneficiados com a extinção da alíquota de 35%.
De acordo com o estudo, quanto menor é a renda, maior é a fatia do salário que deveria estar isenta e que está sendo tributada injustamente. No lado contrário, o trabalho mostra que os maiores salários são beneficiados com o congelamento da tabela de Imposto de Renda. Por conta do congelamento, a Unafisco informa que a arrecadação de impostos sobre a renda do trabalhador cresceu 68% entre 1996 e 2000.

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