Lavrador furta energia e é preso
O lavrador Geraldo Borges, de 69 anos, passou 20 horas preso numa cela de delegacia em Araçatuba, entre 17h de ontem e 13h de ontem, por furtar energia elétrica. Borges alega que está desempregado e, como não tem dinheiro para pagar a conta de energia, um amigo fez uma ligação direta da rede pública para sua casa, no Jardim São José, um dos bairros mais pobres de Araçatuba.
O furto de energia ocorreu entre julho de 1998 e maio de 1999, segundo o processo criminal instaurado contra o lavrador, que acabou sendo condenado a um ano de prisão em regime domiciliar.
Por ser primário, Borges não ficaria preso, mas, como ele não atendeu ao chamado da Justiça para tomar ciência da condenação, o juiz Wellington José Prates mandou expedir mandado de prisão, cumprido anteontem à tarde pela Polícia Militar.
Ontem, o lavrador foi levado ao Fórum de Araçatuba e liberado depois de advertido. Para cumprir a pena em liberdade, ele não poderá deixar a cidade sem se comunicar com a Justiça e também está impedido de frequentar bares no período noturno.
Após deixar o Fórum, o lavrador contou que não sabia que era crime fazer ligação direta da rede de energia para sua casa. Moro sozinho e, por não ter dinheiro para pagar a conta de luz, o medidor da minha casa foi retirado, contou. Como não podia ficar sem energia, arrumei uma pessoa que fez a ligação.
Borges é a segunda pessoa presa em Araçatuba nas duas últimas semanas por furto de energia. No último dia 29, a polícia prendeu a dona de casa Maria Panini dos Santos, 60 anos, também moradora do bairro São José, condenada a 1 ano e 2 meses no regime semi-aberto.
Como não existe prisão semi-aberta na região, Maria dos Santos está recolhida na cadeia feminina da cidade de Bilac, junto com outras mulheres condenadas por crimes como assalto, homicídio e tráfico de drogas.
Segundo o processo contra a dona de casa, ela furtou energia durante o último trimestre de 1997. A irregularidade foi descoberta e a companhia distribuidora emitiu uma cobrança de R$ 1.065,79. Como não houve o pagamento, Maria acabou sendo processada e condenada.





