Curitiba - O Paraná tem 34 mil famílias trabalhando com a produção de fumo. Em cada uma destas propriedades existem ao menos duas crianças. Isso significa que cerca de 68 mil crianças trabalham em lavouras de fumo e sem rebecer nada por isso. A informação é da procuradora do Trabalho do Ministério Público do Trabalho, Margaret Matos de Carvalho. Segundo ela, o período de férias é o que mais as crianças trabalham. Ela participou esta semana do Seminário Diversificação na Agricultura Familiar, que terminou ontem, e debateu as consequências do cultivo do fumo para a saúde dos agricultores.
''Questionamos o aproveitamento escolar destas crianças porque elas vão para a escola e não aprendem'', diz. Além disso, há muita evasão escolar por parte desses alunos. Segundo ela, o fumo prejudica o sistema nervoso central e compromete o desenvolvimento cognitivo das crianças que têm estatura menor do que o normal, são desnutridas e muitas delas adquirem LER (Lesão por Esforço Repetitivo) com a atividade de amarrar as folhas. ''Continuamos articulando a sociedade e os municípios para garantir os direitos das crianças a creche e escola'', afirma.
As famílias não conseguem em algumas situações, de acordo com a promotora, atingir a produtividade exigida pelos fabricantes de fumo e quando isso acontece estão sujeitas a multas bem onerosas que podem chegar a até metade do valor da produção anual.
Ela conta que já foram ajuizadas algumas ações cíveis públicas para indenizar os produtores e por melhores condições de trabalho. Margaret lembra que uma empresa chegou a reconhecer o vínculo empregatício de um produtor por decisão liminar no ano passado. A maior parte das ações foi iniciada em dezembro de 2007.
A produtora de fumo e presidente da Associação de Produtores Serra da Esperança do município de Rio Azul, Ezilda Dezanoski, 53 anos, afirma que o trabalho com fumo provoca vários problemas de saúde para os agricultores como câncer de pulmão, problemas de coluna e intoxicação pelo uso excessivo de agrotóxicos.
Ela começou a trabalhar com fumo aos 22 anos e permanece na atividade até hoje. Agora, iniciou neste ano o plantio de fumo orgânico com 25 mil pés. Além disso, tenta diversificar a atividade com a plantação de milho, mandioca, batata doce, feijão, batata, cebola e pecuária de leite. Ezilda conta que grande parte dos produtores não abandona a plantação do fumo porque com pouco espaço - cerca 1 alqueire - é possível plantar 40 mil pés. Segundo ela, os produtores recebem em média R$ 4,50 pelo quilo do fumo.
A atividade é muito insalubre. Segundo o presidente da Associação Médica do Paraná, José Fernando Macedo, exalar e aspirar o fumo pode provocar todas as doenças do tabaco como câncer de pulmão, de laringe além de doenças circulatórias como o infarto.

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