Curitiba - Uma lavoura de soja transgênica foi interditada pelos fiscais da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento, anteontem, no município de Pato Branco, no sudoeste do Paraná. A área pertence ao agricultor Dorvalino Bonetti, que tem aproximadamente oito alqueires de lavouras de soja. Desse total, foram encontrados Organismos Geneticamente Modificados (OGMs) em aproximadamente um hectare de terra.
A constatação da transgenia foi comprovada por meio de testes de laboratórios feitos pelo Centro de Pesquisa de Processamento de Alimentos (CPPA) da Universidade Federal do Paraná (UFPR). O agricultor tem cinco dias para assinar o termo de interdição e responder informações como onde conseguiu as sementes e qual o destino que pretendia dar à lavoura. Caso não tenha formalizado a intenção de plantar soja transgênica, como determina a legislação federal, o agricultor poderá ter sua área destruída e ainda responder por processo e ser multado.
Mas independente da legislação federal que liberou com restrições o plantio de soja transgênica este ano, o agricultor vai responder processo com base na lei federal dos agrotóxicos (7.802/89), e na lei estadual de defesa sanitária vegetal (11.200/95), informou o engenheiro agrônomo Adriano Riesemberg, do núcleo da secretaria em Pato Branco.
De acordo com os fiscais, as lavouras de Bonetti serão devidamente monitoradas até a colheita. O agricultor terá que informar qual o destino da produção e fazer a total erradicação de plantas voluntárias geneticamente modificadas que porventura germinem na área interditada.
Segundo Riesemberg, o cultivo de soja transgênica pode ser enquadrado na lei estadual de defesa sanitária porque coloca em risco a saúde humana, o meio ambiente e as lavouras vizinhas. ''Qualquer prática que faça mal à saúde e prejudique o meio ambiente é passível de ser controlada por normas da Seab'', explicou.
Muitas denúncias de lavouras de soja transgênica estão chegando ao núcleo da Secretaria da Agricultura em Pato Branco. Ontem, mais três amostras de soja colhidas em propriedades de Coronel Vivida foram enviadas para exames de laboratório. De acordo com o engenheiro agrônomo Rudmar Pereira dos Santos, a região é muita crítica pelo parentesco que os agricultores do Sudoeste têm com agricultores gaúchos, o que facilita o contrabando de sementes de OGMs.

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