Lavoura apóia. Mercado vê retrocesso
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 19 de maio de 2000
Vânia Casado De Curitiba 
A retenção do café pelos países produtores, acordada ontem em Londres, divide as opiniões no mercado. No Paraná, a medida foi bem recebida pelos produtores. A expectativa de Wilson Baggio, presidente da Comissão Técnica do Café da Federação da Agricultura do Paraná (Faep), é que a retenção de 20% da produção mundial provoque uma reação das cotações no mercado internacional.
Já Eduardo Carvalhaes Júnior, executivo da corretora de Santos, Escritório Carvalhaes, disse que a medida representa um retrocesso, e é uma alternativa de mercado utilizada há 40 anos.
Segundo Baggio, os países produtores vinham transferindo seus estoques aos países consumidores a preços aviltados. Ele explica que as cotações no mercado internacional estão baixíssimas e elas não refletem a quebra de produção no Brasil, que será maior do que a primeira estimativa feita pela Embrapa. A previsão atual é que a produção brasileira será de 28,9 milhões de sacas, mas com a persistência da estiagem, já se fala numa quebra de produção de mais 20%, disse o produtor.
Baggio afirma que o mercado internacional não está levando em consideração que a safra brasileira, que responde por 28% da produção nacional, ainda tem um inverno inteiro pela frente, além da estiagem que continua severa nas principais regiões produtoras. Ele lamentou os altos estoques de café em mãos dos países consumidores, em torno de 15 milhões de sacas, e defendeu que esse estoque tem que ficar nos países de origem. Só estamos dando munição para os países consumidores especularem com os preços, argumentou.
Carvalhaes Júnior destaca que os países produtores vão pagar a conta da retenção daqui três ou quatro anos, quando houver um excesso de produção e os preços desabarem de qualquer jeito. Ele defende que o caminho para valorizar o café brasileiro é trabalhar o marketing do produto, agregar valor à produção e conquistar novos consumidores. O mundo não trabalha mais com esse mecanismo de reter o produto para provocar alta nas cotações, que se torna artificial. Para Carvalhaes, a medida contraria a pretensão de modernizar a produção de café no Brasil.


