Buenos Aires - O ministro da Economia da Argentina, Roberto Lavagna, afirmou que o acordo com o FMI não está sendo feito para permitir o crescimento da Argentina. ‘‘Ele é para não continuar caindo’’ economicamente, esclareceu o ministro, em um artigo que escreveu para o jornal ‘‘La Nación’’.
Segundo Lavagna, o acordo com o Fundo é o ‘‘programa inexorável’’ que permitirá que a Argentina possa ‘‘pensar’’ a médio prazo. ‘‘Qualquer pessoa que fale sobre um plano econômico a médio prazo sem descrever a forma de como sair do fundo do poço, está enganada’’, explicou.
Mas, a possibilidade de um acordo com o FMI é repudiada por diversos setores da sociedade, que temem que o ‘‘remédio’’ fornecido pelo organismo financeiro possa ter efeitos piores que as ‘‘doenças’’ financeiras da Argentina.
Ontem, cerca de 10.000 piqueteiros –desempregados que pedem trabalho e comida– manifestaram-se no centro de Buenos Aires para exigir do governo que suspenda as negociações com o Fundo, pois consideram que o organismo financeiro pretende realizar ajustes que só vão aumentar o desemprego e a pobreza na Argentina.
Militantes de partidos de esquerda protestaram na frente do Hotel Sheraton, onde hospedam-se os integrantes da missão do FMI. Luis Zamora, deputado do partido comunista Autodeterminação e Liberdade e um dos poucos políticos com boa imagem popular no país, pediu que na próxima viagem da missão do Fundo à Argentina, daqui a duas semanas, ‘‘não os deixem descer do avião’’.

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