Lavagna discute pendências com o Brasil
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quarta-feira, 08 de setembro de 2004
Agência Estado 
Brasília - O ministro da Economia da Argentina, Roberto Lavagna, passará o dia de hoje em contatos com autoridades brasileiras para discutir um conjunto de pendências no comércio com o Brasil e uma política industrial comum. A visita, que já não causava grande entusiasmo, ocorrerá em clima ainda mais azedo depois que o presidente argentino, Néstor Kirchner, deixou claro, ontem, que não pretende cumprir o que havia sido acordado no regime automotivo. Ele também quer a prorrogação do acordo que restringiu o comércio de produtos da linha branca, como geladeiras e fogões. Na superfície, porém, o governo brasileiro deverá manter seu discurso que ''a Argentina é um país irmão.''
Até o início da noite de ontem, nenhuma autoridade brasileira havia comentado as declarações de Kirchner. Não é de hoje, porém, que o regime automotivo comum é fonte de reclamações por parte dos argentinos. Eles se dizem prejudicados porque o acordo previa uma divisão na produção, de modo que o Brasil fabricaria os modelos mais baratos e a Argentina, os de luxo. Com a retração do consumo ocorrida nos dois países nos últimos anos e que só agora dá sinais de haver sido superada no Brasil, os argentinos acreditam que levaram a pior.
A produção de veículos do Brasil aumentou este ano sustentada pelas exportações. Na Argentina, houve entre janeiro e agosto um aumento de 52,7% no número de veículos fabricados graças a vendas no mercado interno e externo.
Os argentinos pretendem também insistir em sua proposta de correção automática no comércio bilateral. Com ela, quem estiver crescendo mais compraria mais do vizinho. Haveria mecanismos que ''compensariam'' com restrições ao comércio as diferenças no câmbio e inversão de desempenho econômico. Essa proposta é tida como ''indigesta'' pela área econômica do governo brasileiro.
Apesar da pauta difícil, Lavagna terá uma agenda de chefe de Estado. Ele começa o dia em uma reunião com o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan. Em seguida, deverá se encontrar com o ministro da Fazenda, Antonio Palocci. Depois, terá uma reunião e um almoço com o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim. À tarde, será recebido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pelo ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu.


