Madri – Os países da União Européia (UE) e da América Latina deram mais um passo para abrir seus mercados, reduzir a distância que ainda separa as regiões, organizar a luta contra o terrorismo e o narcotráfico e consolidar a estabilidade democrática.
Depois de dois dias de reuniões que se encerraram, ontem, com uma série de rodadas de negociações da UE com a América Central, a Comunidade Andina e o México, os países criticaram as medidas unilaterais.
Europeus e latino-americanos optaram pela via diplomática e não identificaram o país ao qual se referiam, mas a descrição de seus compromissos em favor do multilateralismo, do Tribunal Penal Internacional e do Protocolo de Kioto parecem apontar para os Estados Unidos.
‘‘É uma alusão geral contra as medidas unilaterais, não importando quem as tome’’, disse o ministro de Assuntos Exteriores da Espanha, Josep Piqué, após a reunião sobre o diálogo de San José, entre a UE e a América Central.
Na Declaração de Madri, ambas as partes rejeitam ‘‘com firmeza todas as medidas de caráter unilateral e efeito extraterritorial que são contrárias ao Direito Internacional e às regras de livre comércio comumente aceitas’’.
Os dois blocos também reiteraram sua rejeição à lei americana Helms-Burton, que reforça o embargo contra Cuba, assim como às práticas protecionistas dos EUA que tanto desagradam europeus e latino-americanos e que, ultimamente, têm sido relativas ao aço, à madeira e a alguns produtos agrícolas.
Do México ao Peru, passando por Brasil, Chile, França, Itália, Reino Unido e Espanha, todos concordaram em avançar no fortalecimento do sistema multilateral.
O presidente do México, Vicente Fox, pediu avanços na liberalização do comércio, ‘‘mediante regras claras e não mediante a ausência delas ou a aplicação de medidas unilaterais’’.
‘‘Há um grande esforço de união que deve nos permitir fazer uma frente comum contra as tentações protecionistas’’, disse Romano Prodi, presidente da Comissão da UE.
Jacques Chirac, presidente da França, criticou diretamente as políticas protecionistas dos EUA e afirmou que, nesta II Cúpula UE-América Latina e Caribe, ‘‘a vontade de reequilibrar o triângulo atlântico’’ esteve presente.

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