O perfil de negociação que vinha se desenrolando no setor de indústria de laticínios e que foi marcado pelas multinacionais, como Parmalat engolindo as menores, já está superado. O que se percebe agora, neste mercado, são empresas interessadas em selar parcerias. Está ocorrendo principalmente em São Paulo, mas há entendimentos neste sentido também em Minas Gerais e Paraná.
A novidade nesta área é que não se trata mais apenas de multinacionais mas de empresas de porte, com 100% de capital nacional, sondando outras, na tentativa de joint venture.
A Cooperativa Central dos Produtores Rurais de Minas Gerais-CCPR/Itambé, 3ª maior empresa do ramo e a maior de capital nacional, está disposta a trilhar este caminho. Jacques Gontijo, vice-presidente da empresa, conta que já foi procurado por grandes laticínios da Europa, EUA e Oceania, dispostos a fechar negócio. ‘‘Estamos procurando alianças estratégicas para atrair investimentos’’, afirma.
‘‘É uma forma de captar dinheiro por um custo muito mais baixo e aumentar nosso leque de produtos’’, afirma. A idéia, explica, é entrar em outros mercados não explorados pela Itambé e de maior valor agregado, como por exemplo, sobremesas, leite modificado e sucos.
Gontijo acredita que dentro de no máximo uma ano a parceria já estará fechada. ‘‘Nosso única restrição é continuar como acionista majoritário’’, diz. Segundo ele, não falta parceria para quem produz qualidade. As propostas são constantes.
O faturamento líquido da Itambé está em torno de R$ 600 milhões/ano e seu capital de giro é de RS$ 276 milhões. A produção é hoje de uma linha de 70 produtos.
Joint venture Fontes do mercado afirmam que a Cooperativa Central de Laticínios do Estado de São Paulo - dona da marca Paulista - também está de olho em alguns fabricantes de queijo, interessada em ganhar uma fatia deste mercado por um caminho mais curto que o de investir e desenvolver o produto na sua própria empresa. Consultada pela Agência Estado, a cooperativa, no entanto, não confirma nem nega que esteja interessada em firmar joint venture.
A Laticínios Tirolez Ltda está na mira de pelo menos três empresas dispostas a fazer parceria. ‘‘Estamos iniciando os primeiros contatos e abertos a negociação’’, confirma Cícero de Alencar Hegg, diretor comercial da empresa que produz atualmente 20 tipos diferentes de queijo. Segundo ele, trata-se uma grande empresa norte-americana, uma européia e outra nacional.
A Tirolez, segundo Hegg, espera para este ano um crescimento de 12% no faturamento e 10% no volume de produção. Dona de quatro unidades fabris, três delas localizadas no Estado de Minas Gerais, nas cidades de Tiros, Arapua e Carmo do Parnaíba. A quarta, no interior de São Paulo, em Monte Aprazível.
‘‘O alto custo da industrialização está levando as empresas a procurarem novas saídas’’, afirma Hegg. Pelas suas contas, só os gastos com distribuição representam 25% no preço final do produto.
Solon Teixeira de Rezende Junior, diretor de marketing da Associação Brasileira (Abiq) e do S.Teixeira Produtos Alimentícios Ltda, calcula que cerca de 30 empresas do setor tiveram que fechar suas portas nos últimos quatro anos ou foram vendidas, por não poderem arcar com suas dívidas. A própria Teixeira negociou com a Parmalat, em 1990, 30 de suas fábricas.
Goleite Outro caso de parceria recém-fechado foi a da Indústria e Comércio de Laticínios Quatá Ltda com a Goleite. Ambas possuem fábricas nos Estados de Minas Gerais e São Paulo. ‘‘Foi um caso típico de redução de custos’’, afirma uma fonte.
Rezende estima que muitas das 700 empresas instaladas hoje em todo o País deverão operar no sistema de parceria até o final do ano 2000.
A Abiq conta com 100 filiadas, responsáveis por 70% da produção estimada em 450 mil toneladas neste ano e uma receita da ordem de US$ 1,8 bilhão.
Segundo fontes do mercado, as cooperativas não têm a mesma facilidade para formar parcerias. É que elas têm um problema cultural a ser rompido: a vaidade e os interesses de alguns falam mais alto do que projetos do interesse comum. Há empresas que conseguem se acertar em tudo, mas a confirmação da parceria esbarra na manutenção dos cargos de direção.

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