Laticínio absorve leite dos produtores
Os pequenos produtores de leite de Grandes Rios também estão revoltados com o impasse que se formou em torno da divulgação dos resultados das suspeitas de febre aftosa no gado da Fazenda Santa Izabel. No município, a situação só não está pior porque os laticínios estão absorvendo a produção, que antes era captada pela Confepar. No entanto, os laticínios não acertaram o preço que será pago por litro ao produtor.
''Estamos entregando o leite para o laticínio para não jogar fora, mas não sabemos quanto iremos receber e nem quando'', afirma o produtor Pedro Moreira. Antes da imposição das barreiras, eles entregavam toda a sua produção, de cerca de 150 litros por dia, para a Confepar. ''Esperamos receber o básico, mas o nosso prejuízo poderia ser maior. De qualquer forma não trabalho com a possibilidade de ter aftosa aqui'', disse o filho, Edenir Moreira.
Na avaliação de Edenir Moreira, o resultado está lento e ''há muito gasto desnecessário por parte da Seab''. ''Os técnicos da Emater estavam desenvolvendo um bom trabalho sobre a aftosa aqui e tudo isso será perdido'', disse. Na sua propriedade também é cultivado café, mas a família tira seu sustento do leite. ''A sorte é que tinha uma reservinha e recebi uma indenização da Copel'', afirmou o pai, Pedro Moreira.
José Humberto Alves Rosa produz entre 80 e 85 litros de leite por dia, produção que agora está sendo absorvida por um dos laticínios. ''Não acertei nenhum valor, mas depende da quantidade de leite. Achei burrice divulgar uma suspeita; deveriam divulgar só se a doença fosse certa. Isso prejudicou muito a gente'', lamentou. A família vive basicamente da pecuária leiteira e, por enquanto, Rosa diz que ''tem só crédito''.
''O leite mal pagava nossas despesas. Se tirar o leite da gente, eles tiram tudo. E ainda tenho um financiamento; o governo vai pagar ?'', questiona o produtor. Ele tem 50 cabeças e sua propriedade é de 8,40 alqueires. No sítio, ele também planta milho (para silagem do gado), feijão e arroz, ''só para as despesas''.
O lavrador Antônio Fagundes também produz cerca de 15 litros de leite por dia, que lhe rendiam entre R$ 100 e R$ 120 por mês. Agora, ele parou de entregar o produto no laticínio. ''Só que não sobrevivo disso. Cuido de outras fazendas e planto um pouco de feijão, café e milho, mas se tiver mesmo aftosa será uma tragédia porque a maioria aqui vive do leite'', disse. (F.M.)





