O Instituto de Tecnologia para o Desenvolvimento (Lactec), órgão de pesquisa ligado à Copel, começou a pesquisar ontem uma nova tecnologia de produção de energia elétrica e térmica, cujo desempenho já leva cientistas e estudiosos a chamarem o sistema de energia do futuro. Trata-se da célula combustível, sistema que vem sendo estudado e implantado nos Estados Unidos, Japão e Europa e que será, agora, pesquisado e adaptado para uso no Brasil.
A unidade de célula combustível é um gerador de energia desenvolvido pela Nasa inicialmente para abastecer os ônibus espaciais com energia térmica e elétrica. Pelo seu desempenho, passou a ser usada em hospitais, aeroportos, bancos, unidades comerciais no exterior, e a expectativa é que em até dez anos seu uso seja estendido às residências.
A principal vantagem é a geração de energia elétrica e térmica com poluição zero. Com gás carbônico como matéria-prima, ela já gera 100 vezes menos poluentes que uma usina térmica. A intenção é melhorar a tecnologia ainda mais, usando o hidrogênio puro como matéria-prima, o que resultaria em poluição zero. Outra é a eficiência, já que o sistema aproveita 80% da matéria-prima contra 35% a 40% nas formas de produção de energia atuais. Patrício Rodolfo Impinnisi, pesquisador do Lactec, ressalta, ainda, a confiabilidade de 99,99%. ''Em dez dias, só falha um'', diz, lembrando que a energia é também de melhor qualidade, já que não sofre oscilações de linhas de tensão.
Para conhecer essa tecnologia, empresários do setor elétrico, representantes de universidades, instituições ligadas ao meio ambiente, indústrias, centros de pesquisa e desenvolvimento tecnológico participam ontem e hoje do seminário internacional Geração Distribuída usando a Célula a Combustível, promovido pelo Lactec. No evento, o Lactec está apresentando a primeira unidade de célula a combustível existente na América Latina.
''Nosso desafio é buscar alternativas de energia, que tenham oferta e não causem danos ao meio ambiente. E a célula a combustível é o ideal'', diz Impinnisi. O desafio do Lactec é adaptar a nova energia à realidade brasileira. ''É preciso saber qual vai ser o impacto no sistema brasileiro'', diz, lembrando que 80% da produção de energia no Brasil é interligada. Com o uso da célula em estabelecimentos ou até em residências, é necessário estabelecer legislações próprias que determinem se o consumidor comum pode ter direito a vender energia ou se este é um direito específico das concessionárias.

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