A região dos grandes hotéis-cassinos, em Las Vegas, surpreende e impressiona pela imponência e ostentação. São imensas construções, que parecem cenários de cinema, tirados do mundo da fantasia e implantados no meio do deserto, a 500 quilômetros de Los Angeles, na costa oeste dos EUA.
À noite, que chega cedo - 17h - nesta época do ano, a cidade vira uma explosão de luzes e cores, proporcionando uma verdadeira orgia para os sentidos.
Na Las Vegas Boulevard, a visão do Caesar Hotel e Cassino é de tirar o fôlego: uma imensa praça romana, cheia de estátuas, portais e vastos jardins, um monumento à soberba humana comparado ao Arco do Triunfo, em Paris, a Porta de Brandenburgo, em Berlim, ou a Praça do Kremlim, em Moscou.
O ‘‘Treasure Island’’ tirou das telas exatamente isto, uma Ilha do Tesouro, e construiu um lago, às margens da avenida, onde dois navios de verdade simulam um assalto pirata.
Há também um submarino na calçada, um grande ‘‘saloon’’ do velho oeste, as 1001 noites de Alladin e por aí vai.
O Circus Hotel e Cassino, onde fiquei hospedado, com 2,2 mil funcionários, é também um circo de verdade; sua fachada tem um dos mais impressionantes painéis luminosos da cidade.
Em Las Vegas é assim, não sobra muito espaço para a imaginação, é tudo explícito, exagerado, uma exorbitância que satura os sentidos.
Jogo e Prostituição Sem o ouro da Califórnia, mais rica em prata, Las Vegas começou a ser construída a partir de 1918 por uma comunidade de mórmãos; teve grande impulso na década de 30, com a construção de um aqueduto que trouxe água dos vizinhos estados do Colorado e Califórnia e a implantação da primeira casa de jogo.
Mas a grande arrancada aconteceu na década de 50, quando um gângster de Los Angeles (Bugsy, protagonizado no cinema por Warren Beaty) construiu o primeiro grande cassino da cidade, o Flamingo.
Hoje, com 1,5 milhão de habitantes, Las Vegas vive do jogo em centenas de cassinos, da indústria da prostituição, do show bizz e do turismo de eventos. Somente nesta semana da Comdex, estão por aqui Lisa Minelli, David Coperfield, Circo do Sol e muitos outros.
Mas também podem ser encontrados, a qualquer hora do dia e da noite, nas principais avenidas, milhares de latinos, negros ou drogados oferecendo gratutitamente revistas pornográficas, numa espécie de propaganda institucional da indústria da prostituição.
Também os cassinos não fecham nunca: sem janelas, para que as pessoas não percebam a passagem do tempo, eles fazem a alegria dos turistas que vêm de toda parte e também a desgraça daqueles que se viciam no jogo.(T.F.)

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